domingo, 11 de abril de 2010

"To[le]iradas, não!"

Imenso bicho-de-mato que sou: eremita em que, na prática ultimamente mais ainda me tornei, mau grado a leitura diária dos jornais, desconhecia, em absoluto, que iria haver em LIsboa uma manifestação contra as touradas.

E tenho pena: a ela me teria juntado de bom grado!

Fisicamente, quero eu dizer!

Em espírito e em incondicional aprovação, eu estive lá e ainda hoje [e amanhã e sempre!] lá hei-de estar!

Até que a prática abjecta de confundir Cultura com o seu exacto oposto---a barbárie---se extinga finalmente!

TOIRADAS, NÃO SÃO CULTURA:
A CULTURA NÃO MATA NEM TORTURA!

3 comentários:

Ava disse...

Realmente não sabia, mas também estou lá. As touradas não passam de mais uma demonstração de atraso cultural do sul da Europa. Da enganadora prepotência que alguns pensam que têm sobre a natureza. Um evento a repetir.
E já agora também podíamos fazer uma em Montemor, pois pelo que sei essa barbárie continua em força pela região.

Um beijo com cheiro a planície, Ava.

Carlos Machado Acabado disse...

Se houvesse uma em Montemor, eu também ia!
Ia a todas, aliás.
A todas onde pudesse.
Realmente, nunca percebi muito bem essa de transformar o sofrimento com ou sem morte de um ser vivo numa... gala!
Recordo-me de uma vez em que, quando fazia parte de uma Junta de Freguesia, ter ido com um amigo a uma herdade aí próxima por causa de um vitelo que ia ser abatido para uma festa.
Na herdade, havia um touro que tinha sido... "lidado", suponho que é o eufemismo que se usa nestes "casos", bandarilhado seguramente e que tinha uma infecção horrível no dorso de onde saia uma pasta sangrenta exalando um cheiro abominável.
Ninguém se podia aproximzar dele porque ele urrava com dores e, desesperado, atacava quem se aproximasse.
Estava ali num sofrimento inimaginável para sarar espontaneamente... ou acabar por morrer.
Nem eu, que abomino a crueldade e o sofrimento gratuito dos animais como das pessoas, imaginava que o "dia seguinte" de uma certa forma de... "Cultura" se revestisse daquela inominável desumanidade.
Eu tinha ido ali só para fazer companhia ao amigo que era o presidente da junta [e estava tão---mal---impressionado quanto eu, acho] e só por amizade não desatei a andar dali para fora e me vim embora a pé.
Mas recordo-me de que nem à festa [onde a carne de um outro vitelo foi consumida num churrasco] fui.
Eu acho que quem gosta de barbaridades deste tipo das tais "touradas" devia ser forçado a ficar ali, de pé, a assistir à agonia de um animal estupidamente torturado para gáudio dos papalvos para ver se percebia finalmente o que tinha andado até ali a patrocinar com a sua própria imbecil, inimaginável, dificilmente perdoável cegueira!

Muito obrigado pelo cheirinho da planície: esse é puro e, em lugar de fazer sofrer, lava a alma e o espírito.
Infelizmente, daqui só posso enviar de volta um sem... cheiro algum porque aqui o cheiro tem sempre demasiadas... octanas...
Fica o espírito com que é mandado....

Carlos

Gonçalo Eusébio disse...

Também eu, apesar de ter muitos aficionados na minha família, não gosto de touradas.Mas respeito quem gosta nem que seja pelo aspecto da tradição,penso que não são as touradas o grande problema da relação do Homem com a natureza, o que dizer dos canis sem condições mínimas,das lixeiras a céu aberto,etc? E também não creio que isso seja um grande sintoma de atraso em relação a outros países:
Então que dizer do Japão onde há lutas de galos e de cães muito populares ou do wrestling no Estados Unidos e de outras monstruosidades que aí são encaradas como distrações de massas onde podem assistir crianças! Fosse esse o nosso grande problema de atraso cultural...