segunda-feira, 6 de julho de 2009

"Saudações..."


...muito especiais a Roberto Benigni que recentemente recordou (com o sarcasmo que merece) a figura de intolerável e obsceno bufão por quem a Itália se deixa hoje-por-hoje governar e cujo nome não vale sequer a pena honrar com a respectiva reprodução num lugar minimamente respeitável como este...

Voltando, porém, a Benigni: num País como este nosso onde, de igual modo e citando (de memória...) Shakespeare, talvez mais do que em qualquer outro momento ou circunstância anetrior, "the jakes are kings and the kings are jakes" (os reis são truões e os truões são reis"...) que falta nos fazia um Benigni!...

Desgraçadamente, porém, só temos direito, ao que tudo indica, a Fernandos Mendes e Herman Josés (na sua pose actual de "court jester" oficioso e descafeinado do 'regime')...

Estou a ser injusto: também temos o impagável Marcelo Rebelo de Sousa e (claro!) o não menos impagável (e dificilmente repetível) Dr. Santos Silva...

É um começo...



[Digo eu...]

4 comentários:

Anita Grey disse...

Olá amigo Carlos como vai?
Estou bem melhor já,a tempestade acaba de passar e logo sai algo "novo"
no blog...

Ahhh sobre o post...é por isso nem me meto a comentar dee politica porque o que ando vendo
e que muita gente por aqui não encherga é de nausear qualquer um é a mesma coisa em todo lugar...

abraços amigo!

Carlos Machado Acabado disse...

Fico feliz por saber isso!
Estou em Lisboa por isso não tenho acrescentado coisa alguma ou comentado outros blogs, a começar pelo seu...
Em breve, também eu voltarei.
Carlos

Ezul disse...

De Benigni, antes de “A Vida é Bela”, conhecia muito pouco. Assistira a umas imagens caricatas, ridículas até, que nada me seduziram. Mas foi diferente com o filme em questão. Como já tive ocasião de dizer, gostei do filme, gostei do actor, entre vários outros aspectos. O problema, para mim, reside no facto de considerar certas situações da vida (e da História, neste caso) tão intensamente trágicas e desumanas, que nunca encontrei nelas espaço para risos. Não me refiro aos monstros, obviamente. Esses, merecem e devem ser alvo do riso, porque este pode feri-los, tal como faz aos nossos “monstrozinhos” de trazer por casa, as portuguesíssimas aberrações que deambulam pela nossa Democracia (?) e que, à menor oposição ou contrariedade, se abespinham e ameaçam, e processam, e fazem gestos e caras feias… Refiro-me, isso sim, a uma profunda mágoa pelas vítimas, à memória de uma crueldade fria e desesperadamente inaceitável, infringida por uma máquina de morte com revestimento humano.
Mas, voltando a Benigni, ainda bem que o tal figurão italiano não lhe passa despercebido e oxalá não se esqueça de todos os que cometeram a insanidade de o eleger.
Quanto às duas últimas personagens citadas, fazem rir, lá isso fazem. Só é pena não me comoverem absolutamente nada.

Carlos Machado Acabado disse...

Mas o Chaplin, no "Grande Ditador", também recorre a este registo de farsa para afrontar a barbárie.
Eu chego, aliás, a pensar que, se calhar, no limite não há outro modo de lidar com a prepotência e a brutalidade (mesmo a este nível e neste grau) a não ser pelo sarcasmo.
Não levar a sério um prepotente (mesmo os prepotentezinhos de cartão que refere...) é, no fundo, o pior que se pode fazer a um prepotente!
Deixa-o completamente desconcertado porque lhe subverte a "gramática" particular que assenta, sempre, de um modo ou de outro, tacitamente no medo que É SUPOSTO inspirar.
O riso vai direitinho à própria essência do medo.
Quando estive com a Secundária na Alemanha, conhecemos uma senhora, professora de Inglês, a Frau Linde, que tinha conhecido pessoalmente Hitler e que confessava que a personagem, apesar de toda a sua inominável selvajaria, a hipnotizava.
A ela e a "ene" outros alemães.
Ora, o que faz o Chaplin é precisamente desmontar minuciosamnte os mecanismos físicos, mímicos, do ditador, revelando, através da análise 'cirúrgica', implacável, dos tiques, a finíssima fronteira que separa (ou, pelo contrário, que LIGA!) o empolgante e o pura e simplesmente ridículo.
É o "rei-vai-nu" feito mímica e Cinema.
O «nosso» Benigni nunca é vencido porque nunca levou "aquilo" a sério, nunca (como dizer?) jogou o jogo como "eles" queriam e no terreno exacto ONDE "eles" queriam que ele fosse jogado.
Essa é, aliás, a meu ver a grande lição do filme: a recusa a deixar-se levar para um terreno onde as "leis da sujeição" se tornam irremediavelmente dominantes e (falsamente!) inelutáveis.