Mostrar mensagens com a etiqueta Arte. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Arte. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 23 de março de 2011

domingo, 12 de dezembro de 2010

"Utrillo"


É, juntamente com Renoir e Rouault o meu preferido da grande [e 'luminosa'!] família de artistas plásticos oitocentistas franceses.

Ao contrário de Renoir, que é o pintor das atmosferas das coisas e das pessoas vulgares, o mais pragmático e carnal dos três e de Rouault que é o trágico---e metafísico---da pintura moderna francesa, Utrillo é o artista dos espaços-espíritos, o homem dos fragmentos delicados das emoções---e também aquele que melhor capta o que Butor chamou "le génie du lieu"--- de uma certa Paris, muito mais interior e espiritual do que "a de" Renoir e incomparavelmente menos trágica e metafísica do que a de Rouault.


[Na imagem: Le Quartier Saint Romaine, por Utrillo]

"Renoir...."

...a fina inteligência da cor: toda uma classe cuja afirmação histórica se consolida e assume a forma de uma consciência reconhecível---que é também estética, que é também visual ou visualizável--- de si.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

"Nothing Here"


[Imagem extraída com a devida vénia de ideiasdebarbara-dot-blogspot-dot-com]

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

"Evocando Brevemente Stuart Carvalhais"


Falo nele noutro lugar deste "Diário", a propósito da polícia.

Stuart Carvalhais---um cronista fabuloso de Lisboa e das suas figuras típicas dos anos '40 e '50, da varina ao polícia, da senhora gorda, o equivalente português da "mamma" italiana [à época as senhoras gordas era todas mães de alguém, viviam em vãos de escada esconsos à Graça e vinham à porta quando a gente passava a caminho do liceu não fosse a gente tocar-lhes à campaínha e fugir... Stuart foi um cronista impiedoso delas, daquelas das quais se dizia, em surdina e com malícia muito alfacinha, que o bigode que orgulhosamente lhes coroava o beiço grosso e que parecia erguer-se feroz no ar à nossa passagem pronto a investir era, um dia, religiosamente replicado pelos filhos varões...]; da senhora gorda à menina por conta...

Desconfio que gostava francamente mais destas [ou das fadistas meio tuberculosas e das prostitutas de xaile que também desenhou] do que das tais senhoras gordas com quem ele [como Chaplin que nelas deu corpo à sua evidente e, do ponto de vista estritamente cinematográfico... providencial misoginia...] foi implacável, talvez por lhe lembrarem demasiado uma demasiado cinzenta respeitabilidade ganha a poder de uma baça e fosca normalidade não isenta volta-e-meia de pontiaguda e birrenta truculência...

Foi muito mais do que isso---ainda que eu, à época, o não soubesse: foi um pintor de uma desigualíssima e circunstancial mas sempre interessante, muitas vezes amarga, não-raro sarcástica, mal-disfarçadamente desencantada, melancólica virtude--uma espécie de fatalista ou de "vencido da vida" das formas e da sombra---que compôs, desenhou e coloriu como se tocasse jazz: com as pausas, os hiatos, as descontinuidades mas também, por tudo isso, a espontaneidade e a permanente disponibilidade de quem interpreta um texto musical de jazz.

Alguma das suas melhores figuras são seres marginais, de um modo ou de outro, errantes e nocturnos que, condenados pela intervenção inclemente mas agilíssima, experimentada, às vezes, efemeramente 'oportunista' do pau de fósforo queimado ou do instintivo e naturalmente esclarecido pincel à infixidez e à quase dissolução, parecem, muitas delas, ir a cada momento desintegrar-se ou esfumar-se no ar ou misteriosamente acabados de saír dele---seres estranhos, errantes e mudos com muito do "mal de vivre" e do espírito 'fadista' do lumpen lisboeta [que sempre me levaram a pensar nos tuberculosos e numa certa 'cultura' fatalista da tuberculose que, a dada altura prevaleceu um pouco por toda a Europa e que o Portugal da ditadura resolveu adoptar como atmosfera e "Zeitgeist"] que se comportam sempre ou quase sempre, de um modo ou de outro, como se soubessem que iam morrer e usassem o desenho como uma espécie de ritual final de conformação, de auto-pacificação e de preparação para a morte, muitas vezes [perdida toda a esperança] troçando disfarçada mas sempre um pouco altivamente dela...

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

"Man Ray"


O surrealismo ou a burguesia que [se] pensa.

domingo, 8 de agosto de 2010

"Erase..."


... by David Deutsch.

sábado, 3 de julho de 2010

"Arte Popular"


Segundo a SIC de hoje, o Museu Berardo terá sido o museu português mais visitado de todos bom alguns [não fixei quantos] milhões de visitantes/ano.

Pessoalmente, devo confessar, que:

-não morro de amores [longe disso!] pelo Centro 'Comercial' de Belém onde a colecção está instalada e que considero juntamente com os "mostrengos dramatiformes" de 'Flic' La Féria o exemplo acabado de cavaquismo intelectual---o mais perto que o cavaquismo consegue chegar de uma coisa que consiga, em determinados sectores da população passar por "arte";

-não estou absolutamente seguro nem da clareza dos termos e condições do negócio celebrado com o astuto "comendador" proprietário da colecção nem das vantagens do mesmo [negócio] para o País;

-se não morro de amores pelo sítio [uma pedreira disfarçada de edifício: o zero absoluto como medida referencial/reverencial do discurso plástico [e político] morro, pelo menos, outro tanto [outro tão pouco] pelo tipo de pessoa que o frequenta, para ali trazida à pressa ainda de chinelos de borracha, pela "crise", da Vulgária ou Suburbânia nacional que é o seu habitat natural para se "formar em cultura" e poder, no dia seguinte, na pastelaria "Pérola de Qualquer Coisa Indescritivelmente Bacoca e Vulgar" lá do bairro debitar umas vulgaridades eruditas sobre a Arte do século XXI vista do relvado fronteiro, ente duas "mines" e um corneto de morango.

-tenho as mais sérias [e julgo eu que fundadas!] dúvidas sobre a qualidade intrínseca efectiva do tipo de fruição estética que um delegado de propaganda média de Carnaxide ou um vendedor de escovas e produtos de limpeza da Quinta do Lambert é capaz de fazer completamente ex nihilo de uma colecção de arte com aquela composição e aquelas características pelo que são mais que muitas as reservas que formulo sobre o significado autêntico [enquanto elemento capaz de medir a substância intrínseca da cultura do cidadão médio nacional] dos números ora divulgados pela SIC.

Deixo, sim, uma outra dúvida, admissivelmente positiva essa: se o museu Berardo consegue chamar uns milhões de portugueses/ano mesmo com "crise" e tudo, em que plano poderiam estar os valores de "consumo" cultural do País se todos os museus portugueses fossem gratuitos [pelo menos um dia por semana] como a colecção Berardo integrados num serviço nacional de cultura providenciado pelo respectivo ministério [há um, em Portugal? Nem sei...] existente ao lado dos de Educação, de Direito ou de Saúde?


[Na imagem: escultura/instalação de Joana Vasconcelos]

sábado, 10 de abril de 2010

"Andrea della Robbia"


Uma coisa bela para variar um pouco em mais um autêntico "dia sem fundo"---uma belíssima peça della Robbia: de Andrea, desta feita.

É cada vez mais forte a sugestão de regressar, um dia, a Florença para rever quantas for possível in loco...

terça-feira, 6 de abril de 2010

"Uma das Razões..."

... pelas quais vale a pena visitar Florença é por causa da obra do Miguel Ângelo da cerâmica: Luca della Robbia.
Definitivamente!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

"Frida [Ferida?] Kahlo"


O onirismo febril, falsamente naïve e enganadoramente decorativo; os cromatismos em delírio, agudos, dilacerantes [a cor "em ângulo recto"]; os questionamentos frenéticos do espaço e da estrutura global ou total da [ir] realidade em que ele [sempre com uma falsíssima serenidade] se movimenta e que ele recolhe e redifunde contínua e significadamente devolvendo-o drasticamente ressignificado ao [ir] real, seu proprietário original; as multiplicações caleidoscópicass do [sur] real; a semântica visual [neoplásica?] inquieta e irreprimivelmente contagiante; a eloquência visual torrencial do todo---eis Frida Kahlo [res] sentida aqui no "Quisto" a propósito do "upsurge" de "latino-americanicidade" directamente proporcionado pelo envio do texto poético que imediatamente abaixo se reproduz.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

"Vincent Van Gogh, Auto-retrato"

A Arte moderna em fúria e auto-questionamento ou o obsessivo "pincel subjectivo" do mestre holandês de nome impronunciável...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

"Mais Magritte"

Reprodução de um que tenho mesmo em frente da secretária, na minha caótica biblioteca de Montemor.
Aqui é o Magritte "sério", inquietante, ameaçador, insondável, contraditório e 'nocturno' mas sempre sarcástico discorrendo sobre a fragilidade e o mistério [a efemeridade e o vazio?] da própria condição humana, significativamente de todo ausente da tela...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

"Deixo-vos, por hoje, com Magritte..."


Termino com uma das minhas maiores 'paixões espituais': Magritte.
Em Bruxelas cheguei a morar [sem saber] a dois passos [poucos mais seriam, na realidade, sobretudo para mim que ando depressa] de uma das casas em que Magritte habitou, em Ixelles e que hoje é Casa-museu.

Viria a visitá-la mais tarde, quando nos anos '90 voltei a Bruxelas exactamente pela mesma via [mas agora de carro] que utilizei em '72, para lá chegar: Madrid, Barcelona, Paris via Port Bou e Cerbère, Bruxelas, Amsterdão e, de novo, Bruxelas.

Magritte: Magritte é, para além de um pintor cuja "loucura" coincide ponto por ponto com a minha própria [como talvez só aconteça com mais Miró e algum Bascon...] é uma das mais estimulantes provas de que todas as generalizações são, no limite, uma forma de imperdoável violência cometida sobre a realidade.

Na verdade, tudo quanto de injusto ouvi sobre a pretensa "estupidez natural" dos belgas ["Les belges? Ah! Mais que c'est quand même con, ça, quoi!"] se esboroa por completo perante essa torrencial mas, ao mesmo tempo quase comovedora, quase "geometricamente" "naïve" verve magritteana, com os seus "trompe-l'oeil" conceptuais deliciosamente cândidos e excitante---amorosamente!---'previsíveis', marcados por uma espécie de ofegante, intensamente juvenil, 'excitação" ou "entusiasmo" plásticos ["visual elation"] emocionantemente inocentes, quase tímidos [daí a proximidade da "festa"---da "romaria visual" que é Miró] quase infantil mas invariavelmente feliz [a de Magritte é, definitivamente, uma "arte feliz"!] eco estético e conceptual de uma época onde a infância---inclusive a da própria consciência que é indiscutivelmente a mais difícil de encontrar e, sobretudo, de conservar---era ainda algo não só de geralmente possível como---melhor ainda!---de social e politicamente apreciável.

Claro que, para "justificar" e "legitimar" definitivamente a Bélgica e os belgas, haveria ainda, além desse "brave René d' Ixelles", por exemplo, Hergé, "cet espèce de salaud fasciste et raciste", "ce type affreusement opportuniste, coventionel et degrellien"; Jacobs e os seus Prof. Mortimer, Capitão Edgar, "fiel Nasir" e o tenebroso Olrik que felizmente atormentaram a minha infância o tempo suficiente para que ela ficasse sendo, também por isso, algo de definitivamente habitável e digna de ser ocasionalmente recordada---e, sobretudo, num plano mais sério, o exaustivo e intelectualmente minucioso Ernest Mandel, uma das poucas pessoas [tirando, possivelmente, o próprio Trotski] capazes de me tentarem, com alguma hipótese de sucesso, no sentido de que me convertesse, um dia, ao trotskismo...

Não foi, todavia, necessário recorrer a qualquer deles: felizmente, Magritte, esse vulcânico, imensamente divertido "geómetra dos sentidos", esse "Escher humanizado" e resgatado do cepticismo pela sua admirável 'propensão para a fragilidade', pela sua tão característica e distinta "vocação para o prazer"---e a prodigiosa "fête foraine" dos sentidos, esses rituais incrivelmente envolventes e estimulantes, empolgantemente vitais que ele foi um dos poucos a possuir o segredo e que com ele recomeçam sempre, infatigaveis e certos, a cada novo olhar!

Sacré René!

Sacré Belgique, ma deuxième patrie de circonstance!...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

"Para Francis Bacon..."

Para Francis Bacon que conseguiu como talvez apenas Beckett nas Letras descrever a tragédia da condição humana---a in/essência pura da mesma em toda a sua aterradora extensão...

domingo, 19 de julho de 2009

A "Ressurreição" de Piero della Francesca

A "Ressurreição" de Piero della Francesca

A "Ressurreição" de Rafael

Cito um programa da B.B.C. sobre Piero Della Francesca e a seu fresco intitulado "Ressurreição de Cristo", existente no museu de Sansepolcro, na Toscânia.

Para os depoentes no programa (que incluíam, de resto, em críticos e historiadorwes de Arte vários, um clérigo) os soldados que guardam o túmulo de Cristo estão adormecidos.

A leitura da obra implícita nessa 'explicação' particular, sobre a qual todos os depoentes se mostraram concordes, para a postura física dos guardas passa por valorizar obviamente a componente mística (senão mesmo potencial ou tendencialmente 'esoterizante') do trabalho de della Francesca no sentido preciso em que capitaliza em termos de conteúdo latente da obra que Huxley chamou "a mais bela pintura jamais realizada" numa evidente 'intangibilidade cognitiva' específica da matéria descrita no quadro, expressa, por sua vez, simbolicamente na dualidade sono (o sono da compreensão humana)/vigília (a "vigília" divina, cuja essência viria, nesta linha, expressa como, em si mesma e no limite, naturalmente impermeável à possibilidade humana de penetração natural nos mistérios associados à condição divina como tal).

Trata-se evidentemente de uma interpretação perfeitamente legítima e que, até, de algum modo, tende a impor-se espontaneamente tendo em vista o que é comum pensar-se sobre a Ressurreição, inclusive como (im?) possibilidade física concreta.

A leitura ou... "leituração" pessoal que, todavia, faço do fresco passa, não tanto pela ideia de 'sono' mas francamente mais pela de esmagamento, de ofuscação ou deslumbramento como se os guardas romanos, símbolo material do poder (mas de um poder humanamente limitado: imponderadamente ambicioso e inconsciente da sua vanidade---pela 'vã-idade', pela "vanitas"...--- relativamente ao Divino) tivessem sido bruscamente fulminados pela revelação (palavra que não emprego, aqui, aliás---longe disso!---em vão...) de um poder situado infinitamente para além desse fátuo, porque apenas aparencial, poder humano, dado pelos soldados e pelas suas armas.

Do poder temporal, terreal---ou humano.

É muito claramente essa sugestão de "overpowering" ("as if a divine lightening had brusquely struck them all instantly on the spot and fulminated them all irrevocably with the intensity of its light", poderia dizer um dos observadores anglófonos presentes em Sansepolcro...) que, a meu ver, se desprende do quadro e está plasmado nos rostos e na postura (chamo a atenção especial para o sdoldado da esquerda que tapa o rosto---encandeado?) numa palavra: no significado simbólico---do motivo dos soldados, tal como está "encenado" no fresco.

É, claro, volto a dizer, apenas um ponto-de-vista---uma circunstância de "leituração" estritamente pessoal.

Então, ao comparar o fresco de Piero della Francesca com a obra de Rafael sobre o mesmo tema(ainda que neste exista claramente uma dinâmica expansional em pirâmide com o vértice no túmulo que o distingue do muitíssimo mais extático, sereno e reflexivo de Piero della Francesca) esta impressão pessoal torna-se (apenas quase?...) opinião.