quinta-feira, 9 de setembro de 2010

"Tribute to a Completely Blue Feeling"

Blue


...seria este o título que eu escolheria para uma melodia se eu fosse, por exemplo, músico de jazz e me sentasse, um dia, ao piano para compor...

[Imagem ilustrativa "gentilmente cedida" por ardecfunding-dot-com]

"Dois Átilas e Não Se Fala Mais Nisso!..."


Enquanto em países [e semi-países como Portugal] diversos grupos folclóricos de aldrabões encartados disfarçados de religião continuam tranquilamente a desenvolver a lucrativa indústria do analfabetismo funcional, do outro lado do Atlântico, um outro espertalhão não menos empreendedor e astuto, dono de uma seita anónima qualquer, lembrou-se recentemente de juntar uns pózinhos bons de marketing à indústria da "sacanice revelada", com um golpe plublicitário, um "publicity stunt" de génio que passava, ao que se sabe, pela queima pública de um certo livro religioso, suponho que o Corão.

Golpe de efeito certo [têm-no de antemão assegurado todos os golpes que tomem por alvo a sempre intratável ultra-ortodoxia islamita, como já o havia oportunamente descoberto o cinzentíssimo autor de uns tais "Satanic Verses"!] imediatamente obteve dividendos [o "sucesso" naturalmente previsto pelo espertalhão que o concebeu] chegado, desde logo, na forma das mais escandalizadas [e "sumarentas"!] diatribes contra o atrevido terrorista publicitário de Nowhere, Deepshitville, U.S.A. a cuja óbvia inexistância o escândalo cai como sopa no mel...

Nada como uma boa escandaleira, com efeito, para disfarçar inexistências, polir por fora camelices e infimidades e projectar definitivamente as mais extremas e dificilmente recuperáveis nulidades para a vida.

Foi assim com a mítica "inteligência teórica" [e a misteriosa "herança ideológica"] de Sá Carneiro [que entrou, como se sabe, na História à boleia de 33 mil contos que ficou a dever a um desgraçado qualquer que, por motivos amplamente conhecidos rapidamente perdeu a esperança de voltar a pôr-lhes a vista em cima, "deste lado do paraíso", como sarcasticamente titularia o autor de "The Great Gatsby"]; voltou a ser assim com a... "mack-sennettiana" presidência de Mário Soares [a quem um providencial par de sonoríssimas chapadas interrompeu a mais do que merecida catatonia cívica e política em que Nossa Senhora das Esquerdas Justificadamente Revoltadas havia logrado pouco antes---parecia, na altura, que, para tranquilidade de todos nós, em definitivo---encerrá-lo] e, pelos vistos, volta, ainda uma vez, a assim acontecer, desta feita, com um labrego qualquer de Detrás-do-Sol-Posto, Estados Desunidos da América [Backanowhere, U.S.A. Inc.] que, inconformado com a própria insignificância e parecendo saído de um American Gothic ainda mais tenebroso e obviamente troglodita do que o original, o de Grant Wood, se lembrou, de repente, daquela de queimar uma coisa qualquer que fizesse fumo a ver se alguém reparava...

É caso para dizer: não nos bastavam já, a nós, Ocidente, a fronha do Durão Barroso, a Comissão Europeia e os cursos "universitários" do "outro" assim como---falando concretamente de "religiões"---as recorrentes inanidades de um papa ex-nazi de circunstância mas incontinente verbal e provocador por vocação e, de um modo geral, os verdadeiros crimes cometidos [sobre os povos, ainda há escassíssimos semanas, sobre a condição feminina e a dignidade---que digo eu?! Sobre A VIDA!!---das mulheres do planeta, de uma em particular] pelas religiões que [na maior parte das vezes, para mal dos nossos pecados!] existiam: agora também aquelas com as quais isso nunca aconteceu decidiram viram moer-nos a paciência, chatear-nos a porca e infernizar-nos com novas cretinadas a já bem sacrificada existência!


Apetece perguntar: não se arranja por aí um venenozinho qualquer?...



...Pronto! Dois Átilas e não se fala mais nisso...



[Imagem extraída com a devida vénia de myspace-dot-com]

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

"Wannsee Kronik oder A Warsaw Anagram"


Dedicado a todos quantos partilham com o 'anfitrião' a admiração intelectual pela obra de Richard Zimler.

"Montemor-o-Novo, antiga matriz, portal manuelino"

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

"Man Ray"


O surrealismo ou a burguesia que [se] pensa.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

"Morreu o Zé Torres"


Foi, desde o início, um mal-amado.

Sucessor do grande Zé Águas no eixo do ataque do Benfica, nada tinha a ver com a elegância rica em técnica do seu antecessor com o qual foi, porém, sempre exaustivamente comparado.

Em resultado da injustiça que é sempre comparar seres humanos, sejam eles futebolistas ou outra coisa qualquer, ao "bom gigante" couberam sempre apodos e alcunhas que visando apequená-lo acabaram por se inscrever no inconsciente colectivo do benfiquismo como outros tantos sinais de carinho, ternura e, "last but not least", mais do que merecido reconhecimento.

Por um desses apodos era conhecido lá em casa---onde toda a gente era---"como toda a gente", afinal...---'do Benfica'.

Era o "Canadá Dry", um refrigerante que, na altura, se distinguia dos restantes pelas garrafas altas e esguias com que se apresentava no mercado...

Se "não era o Águas" a jogar, nem por isso o Zé Torres foi o "tosco" que muita gente, iludida pelo seu estilo desengonçado, efectivamente pouco elegante, nada "canónico" e até um pouco trapalhão [o que estava, todavia, longe de significar «pouco eficaz»...] e pela sua altura, acreditou, sobretudo a princípio, que fosse.

Vi-o, por exemplo, jogar a defesa-central de recurso e, no "tempo do" Germano e da "defesa do Germano"... jogar bem.

Mas era, obviamente, como avançado-centro goleador, no eixo da "orquestra vermelha" onde brilhavam o Zé Augusto, o Eusébio, o Coluna e o Simões e que representou, do meu ponto de vista pessoal, o apogeu competitivo do Clube e até do futebol nacional, que o bom do Zé Torres ganhou o direito a figurar entre os "imortais" da "benfiquicidade"; foi, com efeito, aí, dizia, que o Torres se distinguiu---e de que maneira!---e acabaria por ganhar, no coração por razões óbvias, sobretudo dos benfiquistas o lugar de honra que ninguém ou coisa alguma lhe poderá, alguma vez, voltar a tirar.

Morreu ontem, com 71 anos, no término de uma longa doença que não soube fazer justiça à sua reputada jovialidade e, muito em particular, ao seu imenso coração.


É definitivamente um dos que nunca esquecerei!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010