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sábado, 5 de março de 2011

MAis Alguns «Pares Célebres» do Cinema"

Jane Russell e Marilyn Monroe em "Gentlemen Prefer Blondes" de H. Hawks

[Delas diz Hawks que "funcionavam tão bem em conjunto que, de cada vez que tinha dificuldades em inventar qualquer coisa para o filme mandava-as deambular pelo set e o público ficava encantado apenas com isso"]

Eis mais alguns 'pares' célebres do Cinema reevocados a partir da notícia do falecimento de Jane Russell.

Ryan O' Neill & William Holden os "wild rovers" de Blake Edwards

Stan Laurel & OLiver Hardy [ Estica e Bucha]


A cópia: Bud Abbot & Lou Costello

Robert Redford e Paul Newman, "the Sundance Kid e Butch Cassidy" para George Roy Hill

Dean Martin e Jerry Lewis

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

"Gary Cooper e Grace Kelly 'leading couple' do clássico «High Noon» de Fred Zinnemann" [Texto em construção]

Falo deste clássico absoluto de Fred Zinnemann, de passagem, noutro lugar recente, do "Quisto".

A ele me refiro dizendo que é, entre outras coisas, um amargo repositório contra o maccarthyismo ao qual se refere oblíqua, mas ainda assim reconhecivelmente, no modo como equaciona a absoluta solidão de um homem abandonado pela cobardia de todos quantos o rodeiam, por um lado, e por outro, a dramática necessidade por ele sentida relativamente à assunção de um posicionamento pessoal, de algum modo, moral, ético---posicionamento esse profundamente ingrato e particularmente difícil de assumir devido precisamente ao preço que, por ele, é, em última instância, necessário pagar.
Volto a referir-me aqui a "High Noon" partindo para o efeito de um fotograma que me parece, aliás, particularmente eloquente e feliz de uma perspectiva, chamemos-lhe 'estrutural' e/ou semiótica.

Alguns aspectos desta possível abordagem:

a) a direcção e o sentido radicalmente divergentes dos olhares na imagem: tal como a sequência foi encenada [e, se encontra, no fotograma, 'cristalizada'] os olhares das personagens de 'Coop'/'Will Kane' e de Grace Kelly/'Amy Fowler' expressam, na sua divergência física, espacial, a tensão e a relativa ruptura resultantes, em termos especificadamente narrativos, da 'distância subjectiva' que separa circunstancialmente ambas, potenciando a sugestão/ideia da absoluta solidão de 'Kane'.

b) O sentido particular do olhar de Kelly concitando o nosso próprio olhar [e, no limite, a nossa adesão de público à sua 'causa'] algo que é potenciado, adicionalmente, pela sua colocação em primeiro plano, com o rosto virado para «nós»;

c) O posicionamento do corpo de Kelly relativamente ao de 'Coop': Kelly está hirta expressando a postura do seu corpo assim como a sua colocação no espaço cénico [bem definidas ambas relativamente a este último: ela está, como disse, bem dentro do espaço, dominando-o no sentido em que é figura central e constituindo, de algum modo, a referência em termos do próprio 'espírito' que se desprende---do que, imitando um título célebre de Butor, poderíamos chamar o "génie"---da cena] determinação e firmeza enquanto que a postura de 'Will' transmite, exactamente ao invés, falta delas pelo posicionamento oblíquo ou 'obliquado' do corpo [algo que subjectivamente induz a sugestão de instabilidade e indefinição] sugestão que é adicionalmente potenciada pelo facto de ele se encontrar ainda não completamente dentro do compartimento numa postura que transmite, portanto, a impressão, sobretudo, de insegurança e de transitoriedade [o movimento do seu corpo exprime, de facto, um movimento imperfeito no sentido em que está, como disse, incompletamente definido---o corpo "surpreendido" a meio de qualquer coisa---sugerindo ainda possivelmente um pedido de assistência para a sua própria 'causa'.

d) As mãos de Kelly: ela tem uma posição de firmeza, como disse, mas há nesta matizes.
Há drama no sentido em que ama 'Will' e achando, embora que ele não deve enfrentar os 'Millers', não o abandona: as mãos expressam, assim, a angústia, o dilema que ela vive.

e) A roupa escura, 'sombria', de 'Will' [a dúvida, a hesitação, o problema] e o vestido branco de Kelly: o dia e a noite, a luz e a sombra em tensão/presença.

A escuridão, a sugestão de negro e de sombra vêm ao encontro dessa 'linha sugestional' genérica que aponta sempre no sentido da angústia terrível de ter de fazer opções dolorosas [o não estar, de algum modo, 'nem cá nem lá' na imagem, no espaço, na Terra---a morte impendente, a sombra ou a sombras dela].


Estas algumas possibilidades de abordagem e leitura ou 'leituração' semiótica de um fotograma extraído de um filme onde o medo e a amarga solidão mas, também, a coragem dramaticamente solitária e são, de facto, os motivos dominantes, todos eles, de algum modo, directa ou indirectamente representados na imagem.


Anexo:

"Do Not Forsake Me, O My Darling"/Ned Washington-Frankie Laine
[Canção tema do filme "High Noon"]

High Noon (Do Not Forsake Me)

Artist: Frankie Laine as sung on "Frankie Laine's Greatest Hits"

Columbia CS 8636,
peak Billboard position # 5 in 1952

Academy Award-winning title song
sung by Tex Ritter
in the film starring Gary -Cooper and Grace Kelly

Words and Music by Ned Washington and Dmitri Tiomkin

Do not forsake me, oh my darlin'
On this, our weddin' day
Do not forsake me, oh my darlin'
Wait, wait along

I do not know what fate awaits me
I only know I must be brave
And I must face a man who hates me
Or lie a coward, a craven coward
Or lie a coward in my grave

Oh, to be torn 'tweenst love and duty
S'posin' I lose my fair-haired beauty
Look at that big hand move along
Nearin' high noon

He made a vow while in state prison
Vowed it would be my life
or his'n I'm not afraid of death
but oh
What will I do if you leave me?

Do not forsake me, oh my darlin'
You made that promise as a bride
Do not forsake me, oh my darlin'
Although you're grievin',
don't think of leavin'
Now that I need you by my side

Wait along,
Wait along
Wait along,
Wait along
Wait along,
wait along,
wait along,
wait along.

[Transcribed by Robin Hood in lyricskeeper.com]

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

"Pares Célebres do Cinema: B&B/Bacall & «Bogey»"


Foram um desses pares célebres de que tenho vindo ultimamente a falar, no cinema como na vida.

Diz-se que quando 'Bogey' morreu, Bacall continuou exaustivamente a procurá-lo, tendo encontrado uma espécie de sombra viva dele em Jason Robbards Jr. que, com ele, tinha, de facto, algumas remotas semelhanças físicas.

Robards foi, de resto, possivelmente até melhor como actor nunca tendo, todavia, nem de longe, alcançado a popularidade do seu antecessor no coração de Bacall.

Deste se diz que, por ocasião dos famigerados despedimentos [na realidade, em diversos casos---como os de John Garfield ou do escritor e roteirista Philip Yordan---puro e simples linchamento pessoal e profissional!] conduzidos pelo tenebroso macarthyismo [amargamente retratado no famosíssimo "High Noon" de Fred Zinnemann---'contra' o qual, se diz que Hawks fez o genial "Rio Bravo"---ou num filme de que pessoalmente gosto bastante, sempre reconhecendo não se tratar, apesar disso, de um grande filme, a primeira versão de "The Mandchurian Candidate" dirigida por John Frankenheimer]; de Bogart, ia dizendo, se conta que tentou opor-se à brutal série de saneamentos investindo o seu prestígio como actor na, aliás vã, tentativa de contrariar a histeria persecutória reinante, acabando ameaçado de ser ele próprio banido, caso persistisse no intento.

Como, por exemplo, Gary Cooper, Bogart ganhou com a idade um rosto prodigiosamente 'denso', dramático e intenso que, por exemplo, Billy Wilder aproveitou, de forma soberba, em "Sabrina" e Edward Dmytryk caracteristicamente menos bem no confuso [e moralmente equívoco] "The Caine Mutiny", dele ficando para a História do Cinema a sua colaboração cinematográfica com Bacall em filmes, histórica e cinematograficamente, hoje-por-hoje, verdadeiramente incontornáveis como "To Have And Have Not" [1944] baseado na obra homónima de Hemingway ou de "The Big Sleep" [1946] ambos dirigidos pelo imenso Howard Hawks, a partir de um romance de Raymond Chandler em cuja adpatação ao cinema trabalhou nada mais, nada menos do que William Faulkner.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

"Pares célebres do Cinema: Paul Newman e Julie Andrews em «Torn Curtain», de Alfred Hitchcock"


Antes ainda de completar a 'entrada' imediatamente abaixo envolvendo as minhas Amigas Tanas e Nocas ['entrada' que requer, para ser convenientemente feita, um conjunto de circunstâncias que neste preciso momento, por razões várias, se não verificam] "entretenho" a gestão deste 'bravo' "Quisto" com um terceiro par clássico do Cinema----aquele que Alfred Hitchcock reuniu num filme politicamente pouco 'simpático' [ainda que não tão pouco 'simpático' quanto o esquecível "Topaze" que Hitch dirigiria já na fase final da carreira] mas, de modo algum, apesar disso, desprovido de encantos [eu, pelo menos---na lisonjeiríssima e insuspeita "companhia" de João César Monteiro, por exemplo---assim penso!] que se chamou "Torn Curtain".

"Torn Curtain" é já um filme [quase?] "pós-McGuffin" quando Hitchcock pôs claramente de parte aquela espécie de escrúpulo [ou de subtilíssima intuição?] que o tinha sempre levado a evitar usar o Cinema para fazer abertamente política e enveredou por uma via que o levará a "entrar cinematograficamente", de forma ostensiva, por exemplo, na Guerra Fria com aquele mesmo "Topaze", baseado num romance abertamente anti-comunista de Leon Uris---algo que se sente claramente nesta "Cortina..." onde, apesar disso, Hitch consegue, ainda, evitar cair de forma demasiado óbvia e grosseira na apologia confessa de um dos "lados" em presença, logrando, em meu entender, relevar, em última instância, sobretudo, os aspectos "obsessivos" e abstractamente para-oníricos que já tinham estado assumidamente presentes em 'coisas' como "Spellbound" e haveeriam de estar, de uma forma prodigiosamente subtilizada no definitivo North By Northwest".
Sob muitos aspectos, com efeito, tal como eu o vejo, "Torn Curtain" 'fala' muito mais---e fala, em geral, eficazmente---de um 'pesadelo' ocorrido adequadamente num não-lugar muito 'oniricamente paradigmático' [que até fica na extinta RDA] do que própria ou do que exactamente de um cientista do "Ocidente" que simula uma fuga, por razões que não vêm ao caso, exactamente para essa mesma RDA.

Neste sentido, chamemos-lhe: 'paradigmático', "Torn Curtain" é ainda, como disse, um filme cinematograficamente considerável e digno que juntou um fabuloso actor, Paul Newman [que, por sê-lo entrou, a dado passo, em choque frontal com o cineasta 'manipulador' e impositivo, sob diversos aspectos, intratável e 'totalitário' que foi Hitch] e uma actriz que manifestamente não agradou ao realizador mas pela qual eu, pessoalmente, confesso uma atracção muito particular com algo de dificilmente explicável em termos estr(e)itamente lógicos e racionais ["le coeur a des raisons que...", como todos estamos fartinhos de saber...] mas francamente irrecusável: Julie Andrews.

Com esta, não rezam as crónicas que tenha havido quaisquer choques, frontais ou não, com o 'autoritário' Hitch que por ela, todavia, manifestamente não nutria, ainda assim [longe disso!] a mesma atracção do que por ela nutria e nutre o signatário, circunstância que terá, de igual modo, ocorrido, por exemplo, com Tippi Hedren, de "The Birds" [uma actriz, aliás, com uma carreira quase episódica, pelo menos "ao mais alto nível"] e com Kim Novak, de "Vertigo", intérprete à qual, com o é sabido, Hitch preferia [a meu ver, de um modo muito particularmente injusto mas enfim...] uma das suas estrelas-fetiche, Vera Miles, que não pôde fazer o filme por estar, na altura, grávida.

Porque Newman era, de facto, um actor soberbo e porque Andrews era, por outro lado, uma intérprete imediatamente improvável para o papel da colaboradora que vive "em pecado" com o cientista [Andrews era uma intérprete improvável para o papel de alguém que vive "em pecado" seja com quem for...] e porque a situação em que Hitch a coloca, no filme, tem, precisamente por isso, algo de subtilmente iconoclasta e até, ainda mais subtilmente, sádico e profanador que conferia expressão material ao desejo que, de algum modo, pairaria nas plateias de todo o mundo [de Grace Kelly e Catherine Deneuve, por exemplo, alguém disse, um dia, que a tentação de profanar a respectiva perfeição era algo de tal modo irresistível que ninguém podia ficar indiferente ao cineasta que, como Buñuel fez com Deneuve no fabuloso "Tristana" ou Truffaut no não menos deslumbrante "La Sirène du Mississippi" o lograsse fazer com um mínimo de inteligência e bom gosto]; porque, dizia, assim é e entre os dois no filme se desenvolve, apesar das reservas de Hitchcock, uma química irrecusável, aliás, a meu ver, extremamente bem trabalhada e bem conseguida, "Torn Curtain", mesmo não sendo [longe disso!] o melhor dos Hitchs é, ainda assim, um filme susceptível de ser, como dizia Godard, "amado" até precisamente pelas suas imperfeições e aspectos mais discutíveis---entre os quais não se conta, porém, a escolha deste par de intérpretes, de registos e até de valimentos técnicos distintos, porém, em última análise, equivalentes no contributo que cada um deles dá para a justíssima "réussite" cinematográfica que, mau grado tudo quanto disse, é, em termos globais, o filme.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

"Pares célebres do Cinema: Deborah Kerr e Stewart Granger em «The Prisoner of Zenda» de Richard Thorpe"


Já aqui falei deles.

Com eles, construíu Richard Thorpe um dos seus mais competentes "objectos" de "relojoaria narrativa", conseguindo, a partir de uma deliciosamente improvável "estória" de Anthony Hope o que Hitchcock, por exemplo, conseguiu com outra de características em tudo genericamente idênticas de John Buchan ["The 39 Steps"] a saber: um filme dito "de aventuras", num certo sentido, verdadeiramente memorável onde tudo funciona, de facto, na perfeição---senão em matéria de verosimilhança objectual [algo que não é, porém, necessariamente essencial numa certa ficção mais ou menos pop e, ainda por cima, como é o caso, supostamente "juvenil"...] seguramente em termos de puro espectáculo visual e narrativo.

Está "lá" tudo: a beleza física das personagens [absolutamente deslumbrante, no caso de Kerr], o casting perfeito [Granger, o charmoso canastrão de sempre mas, também como sempre, com a argúcia necessária para ir habilmente reinvestindo essa característica no próprio---duplo---papel; James Mason exemplar, à época o vilão perfeito]; a ambiência magicamente indefinida e exótica no seu 'balcanismo' [em mais de um sentido, aliás] de [saudosa!] opereta vienense, o motivo do sacrifício nobre da renúncia cultu(r)almente muito motivador para as audiências da época [e não só das latinas...] em cuja visão do mundo ele estava---de mais de uma maneira, aliás---solidamente implantado via tradição judaico-cristã; enfim, com este segundo "The Prisoner of Zenda" cinematográfico [houve um anterior, de John Cromwell, com Ronald Colman no duplo papel de Rassendyl e do rei da Ruritânia e Madeleine Carroll no da princesa Flavia] Thorpe, que já tinha dirigido, por exemplo, um [neste sentido muito respeitavelmente comercial e pop] quase perfeito "Ivanhoe", "narrativamente geométrico" e competentíssimo no cirúrgico encadeamento da narrativa---de resto, uma das características mais estáveis e mais distintivas do eficaz cinema do realizador---alcança aqui, como disse, um dos seus momentos altos e referenciadores para o que definitivamente muito contribuíu a escolha do elenco, onde se contam ainda, ao lado deste par perfeito que hoje aqui comovidamente recordo, um sempre brilhante Louis Calhern, um actor magnífico [de quem Joseph L. Mankiewicz fez um César inesquecível ao lado de Marlon Brando, John Gielgud e curiosamente de James Mason, na sua versão da tragédia de Shakespeare] e, por exemplo, um discretíssimo mas sempre razoavelmente eficiente actor "de composição", Robert Coote, nos papéis respectivamente do 'Coronel Zapt' e de 'Fritz von Tarlenheim'.

Um filme que revejo regularmente---sempre, aliás, com a emoção e o encantamento com que o vi pela primeira vez [no extinto "Jardim"...]---porque nem só de 'génios puros' vive a genuína paixão pelo Cinema e, estou em crer, pela Arte, de uma maneira geral...

"Pares Célebres do Cinema: Cary Grant/Eva Marie Saint [«North By Northwest»] e Cary Grant/Grace Kelly [«To Catch A Thief»]"


E agora algo decididamente mais 'leve' para fechar com uma nota menos sombria o "dia virtual" de hoje, segunda-feira: a Amiga Márcia Cristina Hungerbühler publicou, há pouco, no "Facebook" um curto video dedicado a alguns pares célebres do Cinema.

Inspirado por ela, aqui deixo o meu contributo pessoal para uma galeria privada: Cary Grant e a esplendorosa Eva Marie Saint, para mim, o arquétipo ideal da loura hitchcokiana, naquele que, em meu entender, é o "Hitchcock dos Hitchcocks", o fabuloso "North By Northwest", o filme que eu escolheria se, de todos os Hitchcocks, na minha videoteca/dêvêdêteca pudesse apenas [longe vá o agoiro!...] conservar um único---seguidos do filme que eu guardaria imediatamente a seguir caso não pudesse conservar o primeiro: "To Catch A Thief", um Hitchcock geralmente menorizado mas, para mim, por diversos motivos, rodeado de um particular fascínio: aqui é uma sublime Grace Kelly, à época em pleno apogeu da sua diáfana beleza, quem dá réplica ao mesmíssimo Grant, por sua vez, o actor hitchcockiano por excelência.