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sexta-feira, 9 de março de 2012

"A Propósito da Vitória de ontem do Sporting sobre o Manchester City"

Não sou sportinguista [não saberia sê-lo, acho...] e confesso que não fico especialmente feliz com as vitórias do "lado errado da 2ª Circular".
Bem pelo contrário, aliás!
Considero que em matéria tão volátil quanto essa das simpatias clubistas, tão legítimo é ser "de" um clube quanto não ser activamente "de" outro, desde que esse não-ser não extravaze das normas básicas de civilidade, que é como quem diz, desde que as normas de conduta [a aceitação das regras do jogo competitiuvo em sentido lato como estrito] usadas para exprimir as antipatias clubistas sejam rigorosamente as mesmas utilizadas para veicular as simpatias.
Refiro-me obviamente às manifestações civilizadamente usuais [os gritos, as palmas e por aí adiante] pelo que tão legítimo se me afigura gritar "Goooolo!" quando o meu Clube marca um como fazê-lo quando são os adversários dos clubes da minha... antipatia a lográ-lo.
Suponho já aqui havê-lo dito em tempos: não gosto do Sporting desde a sua fundação por um visconde [que contraponho ao facto de o Benfica ter sido o único grande a ter um operário como presidente, Manuel Afonso, tipógrafo] e reforcei essa antipatia com o roubo de Artur José Pereira, a primeira grande vedeta do futebol nacional, um roubo que teve, como é sabido, clara base económica porque os argumentos invocados pelo outro clube a que alguns chamam pejorativa mas sempre educadamente "o clube do sr. visconde" foram [ironicamente tendo presente a farsa recente do jogo disputado sobre...areia pintada de verde [!!] em vez de relva...sic transit gloria mundi...] o relvado do campo e o duche quente oferecido por uma instituição rica e elitista .
Não consigo, por isso, confesso, deixar de sentir um arrepio especial de emoção sempre que a competição "endireita simbolicamente o destino" e depõe nova derrota no bornal dos "outros" ainda que daí não resulte no imediato benefício directo visível para o meu próprio Clube, que é, como é também sabido, de outro campeonato. Ou, como costumava dizer um ex-colega meu de Filosofia, de "outro patamar existencial".
A verdade, porém, é que anos [décadas!] de rivalidade e antipatia tiveram o efeito singular de me aproximar do objecto desta última, sendo já há muito, o Sporting o meu "inimigo íntimo" e "de estimação", algo que vem sobretudo, dos meus tempos de menino em que às crianças se perguntava "E tu, menino? És Benfica ou Sporting?".
Não havia, então, alternativa e foi preciso que uma gente mafiosa vinda dos confins ou das alfurjas do que se tornou a dado passo, de forma dificilmente escondível, a "Sicília portuguesa", esse paroquial e «moralmente canceroso» Porto das sucessivas gestões pê-ésse, se infiltrasse no caso para que a radical disjuntiva atrás enunciada perdesse parte do seu fundamento e da sua relevância original...
Mas aí, a questão já é outra porque se ser rico não é necessariamente crime, tratando-se de clubes desportivos, ser corrupto e, portanto, desonesto, mafioso é-o e muito pelo que a antipatia no caso da instituição que melhor corporiza a sem-vergonha entre nós nada tem que possa sequer ser confundida com, mau grado tudo, uma certa "clandestina" e singular afinidade, chamemos-lhe: secundária.
Sem que isso me faça como agora se diz, "sair do sério" e tornar-me tão antissocial e bravio quanto a maltosa que, em regra acompanha as deslocações dos corruptos para "desejar ver a «minha» maravilhosa cidade a arder" e a minha antipatia e o meu profundo desprezo ganhem outra forma que não a sepre frontalmente assumida alegria quando eles perdem.
Sirvam estas considerações de introdução ao seguinte: Ontem, o Sporting venceu o Man City de Inglaterra para a Liga Europa. Confesso que estava à espera de [e--por que não dizê-lo?-- até desejava!] uma cabazada inglesa, dada a diferença de poderio económico-financeiro entre um clube tecnicamente falido e um outro "das Arábias", cheio de dinheiro para investir em estrelas como Djeko ou Kun Agüero.
Acontece que o Sporting conseguiu não só afastar esse fantasma da goleada como vencer o jogo.
Porque lutou, não teve medo e foi feliz.
Jogou "à Sá Pinto", dirão os seus adeptos.
Confesso que não morro de amores por este Sá Pinto, que me parece comprovadamente um indivíduo que, num país sério e a sério, com uma Justiça, desportiva ou não, séria e a sério, já teria sido banido de vez.
Considero-o um personagem que devia envergonhar quem o contrata e se revê nele e admito ter ficado profunda e genuinamente escandalizado quando trocaram um técnico sério e competente como Domingos Paciência por este comprovado caceteiro, com "provas dadas" em matéria de comportamento antissocial.
Não tanto porém, por ser ele e ele ser quem é [isso são questões que não me interessam directamente não sendo eu sportinguista e não havendo, no meu Clube, lugar para este tipo de personagem] mas sobretudo porque o que a troca em causa comprova é que há instituições que, numa altura e numa fase ou num estádio de, chamemos-lhe: desenvolvimento, o capitalismo pós-industrial em que "lá fora", se caminha já em muitos casos, para a consolidação de um modelo competitivo empresarial devidamente actualizado, "por cá" os clubes continuam "artesanais", verdadeiras "quintas do mestre André" dirigidos por caciques sem dimensão nem estatura intelectual e moral, eleitos para conferirem expressão institucional às vociferações de bandos de vagabundos e vadios de toda a ordem, um lumpen económica e socialmente desenraizado e , por isso, persistentemente marginal que nos transporta a todos como país, para um passado político, social, cultu[r]al e competitivo que julgávamos ultrapassado.
Não é, pois, apenas a mafia da fruta que apodrece o futebol e que de um modo mais amplo contribui para apodrecer a sociedade portuguesa no seu todo...
Sendo eu assumidamente opositor das diversas formas de mitificação contemporânea do "mercado" que é como quem diz da obsessão argentocrata e economaníaca que, aplicadas ao chamado "capitalismo democrático" nos trouxeram à actual "crise" global, não tenho, como há anos dizia num texto escrito para a "Seara Nova", apenas o aprofundamento da ecologia da superestrutura do capitalismo e por conseguinte a clarificação integral das contradições constantes do funcionamento "normal" da respectiva infraestrutura económica pode atenuar os riscos de um retrocesso histórico, social, político etc. e sobretudo civilizacional que, como se dizia noutros tempos da Alemanha hitleriana de sinistra memória, venha, de novo "put the clock back" e a nós todos com ele.
E não só no âmbito da competição, chamemos-lhe: "desportiva"...
Na imagem: Carlos Gomes, para mim e com excepção de Michel Preud'homme, o melhor guarda-redes que vi actuar em relvados portugueses.

segunda-feira, 5 de março de 2012

"O Verdadeiro Benfica..."

...é, sem qualquer saudosismo mas com uma tremenda saudade, este, o que venceu duas Taças dos Campeões, troféu que, para mim, se chamou durante muitos anos, a Taça dos Lampiões. Era uma equipa perfeita, se as há. Tinha um excelente guarda-redes, o Costa dos Frangos, o grande Alberto da Costa Pereira, já falecido. Uma defesa de betão mas de betão elástico onde o Coentrão desse tempo, o Cavém pontificava com as suas descidas empolgantes pela direita e que o genial Germano fechava como ninguém; um meio campo de ferro com o Neto, o Mário João [ausentes da foto] e sobretudo, a chave do tridente que era o inimitável Coluna, aqui apoiado pelo cunhado resgatado do Sporting, o Péridis [de pé entre o Germano, o "Divino Calvo" e o ex-leixonense Raul] e um ataque que, como na canção do Zeca, era uma orquestra. A Orquestra Vermelha do Zé Augusto, Eusébio, Águas, aqui, Torres e Simões.

Uma Saudade Imensa: Jaime Graça, 1942-2012


Formou com Coluna o melhor meio-campo de que tenho memória no Benfica. Ambos tiveram como missão alimentar a fantástica "Orquestra Vermelha" composta por J. Augusto, Eusébio, Águas, depois Torres e Simões.
Dele disse recentemente um companheiro de Clube que "só tinha um pé", o direito. Mas que pé!...
Tinha de ser especial para jogar ao lado do "monstro" Coluna e não destoar. E nunca destoou! No Benfica ou na selecção com a qual esteve em Inglaterra na "gesta", como então se dizia, de 66.
Morreu de cancro.

sábado, 3 de março de 2012

"Na Ressaca de Mais um Insucesso Desportivo" "Benfica: Que Futuro?"

Não podemos mais é meter a cabeça na areia e recusar ver o que é, porém, uma evidência absolutamente gritante: o ciclo Jorge Jesus no Benfica está concluido. Mais do que concluído: esgotado. O J.J. já deu o que tinha a dar...
Perdeu o "toque de Midas" que levava a equipa a transcender-se. Meteu-se-lhe em cabeça que tem de "inventar" Coentrões todos os dias e converteu-se num perigoso e aparentemente insanável factor de instabilidade e desorganização interna...
Apesar de ter aclamado a respectiva contratação, premiada, aliás, com um campeonato, sou hoje forçado a reconhecer que lhe falta consistência para treinar o Benfica. E sobretudo para "reinventá-lo" ou "refundá-lo", como cheguei a acreditar que tinha estofo para fazer e como fizeram, no seu tempo, cada um a sua maneira, Ted Smith, Otto Glória, Mortimore ou Hagan e Eriksson... Rui Costa [se ainda por anda o que não é de todo líquido...] é outro equívoco colossal. O velho "capitão" Wilson ou o grande Mário Coluna são as minhas propostas pessoais para director desportivo. Têm o saber e a autoridade natural para transmitirem a mística e pôr fim às brincadeiras e tragicómicos episódios de engenharia táctica em que Jesus manifestamente se compraz...
Também Luís Filipe Vieira me parece ter sido um excelente "ministro das finanças" do Clube, após o que se converteu, todavia, num "primeiro-ministro" pouco menos do que medíocre. O Benfica segue, assim, cheio de equívocos cujo fim só podia mesmo ser o fracasso anunciado ainda não há muito em Guimarães...
Há muito que me vem parecendo inevitável um "aggiornamento" estrutural que relance o Clube, o Benfica pós-lei "da opção" e o reprojecte para o lugar de referência absoluta no panorama competitivo nacional através da abertura do capital da SAD ao investimento privado, como sucede no futebol inglês com o qual o Benfica está por estatuto "obrigado" a concorrer.
O Benfica liderou, com efeito, durante décadas o futebol nacional porque soube sempre antecipar-se à concorrência com o já citado Ted Smith a apostar na preparação física séria dos seus jogadores, numa altura em que os plantéis se preparavam com corridinhas à volta dos estádios e campos do País e aos grandes para vencerem bastava esperar pacientemente que o cansaço ditasse leis e a sua melhor preparação naturalmente se impusesse e achasse expressão adequada em golos.
Depois com Otto Glória modernizou a estrutura administrativa conferindo-lhe um estatuto já muito próximo do profissionalismo integral. Por muito que custe a quem teima em ver no futebol de hoje um Desporto ou a quem, como eu, não alimenta grandes ilusões nesta matéria, a próxima etapa para os grandes clubes nacionais passa inevitavelmente pela aposta em investidores privados trazendo consigo paradigmas de gestão idónea e consistente que, por exemplo, o diligente L. F. Vieira com a sua visão sempre muito... "paroquial" da administração do Clube é manifestamente incapaz de assegurar.
Os grandes clubes europeus não constituem os seus plantéis com recurso a uma economia de mercearia de bairro [jogadores a custo zero podem sair muito baratos no imediato mas não representam necessariamente investimentos competitivamente rentáveis no sentido de fazer a diferença relativamente aos pequenos precisamente os utilizadores preferenciais e naturais desse tipo de solução económico-desportiva...].
Reside, de resto aí, na percepção estratégica e política da diferença entre uma despesa e um investimento, o fosso que separa uma gestão [não tenhamos medo das palavras ainda quando o respectivo conteúdo nos repugna!] empresarial idónea do romantismo e do amadorismo ainda quando bem intencionados, um e outro.
Nas décadas mais recentes, o Benfica tem sido um verdadeiro modelo em matéria de más decisões que é como quem diz de equívocos dessa natureza entre despesa e investimento. Tenho para mim que os "casos" Rodion Camataru e Ulf Kirsten, dois jogadores que o Benfica terá tentado contratar mas acabou por deixar escapar, se bem me lembro no tempo de Jorge de Brito ou Manuel Damásio são emblemáticos tal como o seriam mais tarde os de Jardel e Falcao este último "roubado" pelo clube dos corruptos, tendo o primeiro sido generosamente "oferecido" aos mesmos corruptos pela falta de visão estratégica de Gaspar Ramos. Com qualquer destes jogadores, a História recente do Benfica poderia ter sido [e ao que tudo indica, teria efectivamente sido] bem diferente. E que dizer das dispensas de Brian Deane ou Pierre van Hoojdonk, matadores que completavam excepcionalmente bem o avançado de apoio ao ponta de lança [em caso algum, ponta de lança ele mesmo!] Nuno Gomes?...
Duas decisões de contabilista míope e chico-esperto, nunca de um estratega que o Clube continua a não ter, com Rui Costa ou sem Rui Costa...
Em todos estes casos, a ideia de poupar uns tostões sobrepôs-se sempre à visão estratégica, envolvendo o futuro do Clube, "condenado", como atrás digo, a "exportar-se" para sobreviver e a assumir-se como europeu, muito mais do que português...
É mesmo, diria eu, o único entre nós com o qual isso é possível por ser também o único com um mercado que o torna potencialmente auto-suficiente sem recurso a receitas extraordinárias, o grande expediente dos corruptos do Norte,, um truque que até o "erudito" "Jornal de Negócios" punha nos cornos da lua apresentando-o como um exemplo de gestão... modelar.
Aí reside, de resto, a meu ver, um outro gigantesco equívoco do minúsculo futebol nacional: o bacoquismo provinciano que tomou conta do chamado «jornalismo desportivo português» herdeiro espúrio de uma elite de prifissionais competentíssimos como foram os que compuseram uma célebre equipa d' "A Bola" [onde pontificavam um Carlos Pinhão ou um Aurélio Márcio] pretende, com efeito, que clubes de província sem mercado tenham passado por artes mais ou menos mágicas a constituir potentados competitivos genuínos apenas porque, graças à cumplicidade de uma "Justiça" bananeira [e escandalosamente "banana", de forma indecorosamente selectiva, também...] conseguiram apoderar-se dos cordelinhos do universo competitivo e aprisioná-los em proveito [naturalmente!] próprio...
A verdade é que clubes como o dos corruptos não têm [no seu caso concreto, devido muito concretamente ao modelo de desenvolvimento agressivamente discriminatório escolhido] [1] a mínima hipótese de sobreviver como entidade promotora de espectáculos desportivos que é aquilo que é suposto serem as SADs dos clubes de futebol e não só, tendo à falta de uma dimensão verdadeiramente nacional capaz de proporcionar-lhes um mercado garante de sustentabilidade] de recorrer marginalmente a um papel de "brokers" ou agentes mais ou menos camuflados dos seus próprios jogadores, conseguindo, desse modo chamemos-lhe apócrifo, compensar aquilo que a venda do verdadeiro produto para que estão licenciados [o espectáculo desportivo] não permite.
Uma imprensa bacoca e bacocamente embasbacada costuma, como disse, considerar este tipo de economia marginal o próprio suprassumo da gestão desportiva tecendo loas aos que, incapazes como o Benfica de gerar receitas directas suficientes, "temperam", de forma regular, a respectiva contabilidade, sempre demonstravelmente deficitária, com receitas que deviam em qualquer caso ser sempre extra-ordinárias e assim permanecer.
Infelizmente uma "desorganização organizada" persistente no futebol nacional tornou esta prática aberrante do "leilão dos móveis" da própria casa para pagar ao merceeiro e ao homem do talho e escapar à prisão por dívidas, uma política perfeitamente legítima e até desejável...
Ora, como foi amplamente ainda não há muito noticiado, o Benfica é o único clube nacional cuja capacidade para gerar receitas lhe permite ombrear com os maiores clubes do mundo.
Daí a minha afirmação de que está "condenado" a exportar-se e a viver naturalmente fora das fronteiras do território nacional. Não sou apenas eu quem defende a necessidade vital da criação de um verdadeiro campeonato ou liga europeus autónomos relativamente às diversas competições nacionais.
O glorioso passado do Clube permite-lhe constituir uma marca compararivamente fácil de vender no mercado da competição, sendo um Real Madrid-Benfica, por exemplo, a meu ver, um jogo capaz de atrair muitos milhares de adeptos ainda recordados da surpreendente jornada dos 5-3. O mesmo se passando com um Benfica-Barcelona cujos ecos não seria impossível [bem pelo contrário, de facto!] que atingissem com o consequente retorno financeiro muitos lares na África e/ou Ásia de expressão portuguesa.
Para já não falar nos E.U.A. com a sua vasta colónia emigrante portuguesa.
Seria, pois, aí que o Benfica A deveria ir buscar as suas receitas regulares e naturais cabendo à equipa B fazer outro tanto internamente...
Como, aliás, chegou na prática a suceder com o fabuloso Benfica "de Guttman e Eusébio" cuja alternativa interna incluía excelentes praticantes de António Mendes, o 'Pé Canhão' a António Peres, o 'Puskas do Candal', grandes jogadores em qualquer equipa da então 1ª divisão nacional [2].
O Benfica é, efectivamente grande demais para exclusivo uso interno num país onde o União de Leiria ou o Beira Mar se vêem gregos para atrair duas ou três mil pessoas aos respectivos estádios, apenas cheios com os adeptos da equipa visitante, especialmente se esta for o Sport Lisboa e Benfica, o abono de família dos pequenos clubes
E de alguns maiorzinhos, também, já agora...
Acontece que quem dirige hoje o Clube parece alheio a esta realidade e à necessidade de "aggiornare" estruturalmente a Instituição tendo em vista a realidade do panorama competitivo global actual.
Daí eu achar que Luís Filipe Vieira, cujo trabalho de recredibilização do Clube depois do "apocalipse Vale e Azevedo" tem de ser reconhecido e adequadamente louvado, foi, sobretudo, um bom "ministro das finanças", tendo-se revelado, todavia, um insuficiente "primeiro-ministro" e estratega, sendo cada vez mais premente a criação de um núcleo gestionário profissional competente apto a trazer para o Clube uma visão estratégica actualizada ve à altura das potencialidades da Instituição.
NOTAS:
[1] O projecto de coesão interna do clube nortenho que, no tempo de Pedroto e nas palavras deste, "já estava a perder por 2-0 mal atravessava a ponte D. Luís", passou pela criação de fantasmas externos que não eram, na realidade, outros senão todos quantos não eram Porto e não rendiam preito ao grupinho que se apoderou do poder no clube com ramificações, como é sabido, à própria Câmara. O resultado foi a criação de inúmeros anti-corpos em todo o País, condenando o clube a caminhar isolado para os respectivos triunfos, isolado se exceptuarmos, como digo noutro ponto, a cumplicidade objectiva de uma "Justiça" demasiado cega com os poderosos, sendo assim que a maior força do paradigma de desenvolvimento e expansão portista tivesse, afinal, contraditoriamente vindo a ser a sua maior fraqueza, coarctando-lhe a possibilidade de dotar-se de um estatuto realmente nacional e, por conseguinte, de um verdadeiro mercado interno.
[2]Dispensados fizeram um e outro, como se sabe carreiras notáveis em Guimarães no Vitória local.

terça-feira, 24 de maio de 2011





O que o "Jogo" noticia hoje relativamente ao Benfica, deixa-me profundamente inquieto: vem aí outra "artur-jorgice/manuel-damasice" das antigas. Prepara-se, ao que tudo indica, uma nova época de calamidade competitiva.

Eu percebo que um Spoting faça uma revolução no plantel---que não vale, de fscto, um caracol. Mas o Benfica??!! Com um plantel escolhido ou aprovado pelo treinador??!!

Se, no Clube, houvesse alguém que percebesse realmente de futebol e tivesse mesmo a remota noção de como posicionar-se institucional e desportivamente na competição, além de nunca-por-nunca-ser ter permitido o reforço da concorrência à custa do seu próprio trrabalho de scouting como sucedeu Falcao e Álvaro Pereira, essa pessoa estaria, neste momento, a questionar]-se] sobre o que falhou realmente na época pasada: se o plantel que o técnico, aliás, escolheu ou homologou e com o qual chegou a declarar não ter dúvidas de ir ser bicampeão [?], se o próprio técnico que não soube contionuar a rendibilizar aquele, em termos desportivos.

Jesus sabe [tem a exacta noção] do Clube em que se encontra?
Imaginará que é o lugar ideal para expweriências como esta de despedir o plantel completo?

E ele manda no Benfica?

Goza de imunidade avençada?

Quem, com efeito, mete o Clube na «aventura Roberto» [inquestionavelmente, um dos piores jogadores que alguma vez passaram pelo Clube em vários anos e um guarda-redes de andebol que se enganou no caminho para o pavilhão!!...] ceerceando as possibilidades orçamentais do Benfica, pode ficar tranquilamente à frente do futebol do mesmo, ditando leuis e fazendo toda a esopécie de disparates?...

Quem contrata Fernandez [futebolisticamente uma incógnita], Weldon [um jogador potencialmente útil para jogar ao lado de um ponta-de-lança habilidoso mas pouco forte no choque] e Jardel ]um futebolista vulgaríssimo] para dispensá-los pouco tempo depois, pode ser confiável para se manter à frente de um Clube como o Sport Lisboa e Benfica?
Dispensar [ou dispersar?] um plantel de internacionais que até já foi campeão é uma "solução" de loucos que um Clube com uma gestão competente, sobretudo, depois do "desastre Artur Jorge" nunca permitiria que se cometesse!
A menos que houvese dinheiro para comprar ao nível do Madrid ou do Chelsea e aí, então valeria a pene trocar...
Mas dispensar Aimar, o futuro nº 10 do Benfica, depois de Coluna e Rui Costa...] Cardozo [o melhor marcador do Clube] ou Carlos Martins [um todo-o-terreno de qualidade comprovada] com o indescritível Roberto não configuará uma competitivamente suicida ilustração do velho cliché do deitar fora o bébé com a água do banho?

Que vá o Roberto, mesmo sem retorno financeiro --eis um óptimo acto de gestão, no plano imediatamente desportivo e até mediaticamente financeiro: esse fulano, com as suas asneiras, fez sozinho o Clube perder mais dinheiro do que todo o plantel que o Benfica agora quererá dispensar, junto!

Eu fui dos que apoiatram a entrada de Jorge Jesus no Benfica: terei legitimidade para, admitindo ter-me enganado redondamente quanto à sua efectiva capacidade, assumir agora publicamente a posição de querer, para bem do Clube, o sweu afastamento, ao menos dos centros de poder do "meu" pobre Benfica!

É porque assim não acontece que eu penso que o futuro do Clube tem de passar por uma compra por parte de investidorezs privados capazes de perceberem, "à inglesa", como se gere uma empresa produtora de espectáculos desportivos!

O tempo do amadorismo já lá vai, no campo e também fora dele.

Num clube a sério, nunca aconteceria o escandaloso «leilão de campeões» que se anuncia...

De boa vontade cederia o meu simbólico lote de acções da Sad se fosse para que uma administração profissional [leia-se: competente] tomasse conta dos destinos do que é demonstravelmente ainda o maior clube português.



O que o jornal "O Jogo" noticia hoje relativamente ao Benfica, deixa-me profundamente inquieto: vem aí outra "artur-jorgice/manuel-damasice" das antigas. Prepara-se, ao que tudo indica, uma nova época de calamidade competitiva.

Eu percebo que um Spoting faça uma revolução no plantel---que não vale, de fscto, um caracol. Mas o Benfica??!! Com um plantel escolhido ou aprovado pelo treinador??!!

Se, no Clube, houvesse alguém que percebesse realmente de futebol e tivesse mesmo a remota noção de como posicionar-se institucional e desportivamente na competição, além de nunca-por-nunca-ser ter permitido o reforço da concorrência à custa do seu próprio trrabalho de scouting como sucedeu Falcao e Álvaro Pereira, essa pessoa estaria, neste momento, a questionar]-se] sobre o que falhou realmente na época pasada: se o plantel que o técnico escolheu, se este que o não soube rendibilizar em termos desportivos.

Jesus manda no Benfica?

Goza de imunidade avençada?

Quem, com efeito, mete o Clube na «aventura Roberto» [inquestionavelmente, um dos piores jogadores que alguma vez passaram pelo Clube em vários anos e um guarda-redes de andebol que se enganou no caminho para o pavilhão!!...] ceerceando as possibilidades orçamentais do Benfica, pode ficar tranquilamente à frente do futebol do mesmo, ditando leuis e fazendo toda a esopécie de disparates?...

Quem contrata Fernandez [futebolisticamente uma incógnita], Weldon [um jogador potencialmente útil para jogar ao lado de um ponta-de-lança habilidoso mas pouco forte no choque] e Jardel ]um futebolista vulgaríssimo] para dispensá-los pouco tempo depois, pode ser confiável para se manter à frente de um Clube como o Sport Lisboa e Benfica?
Dispensar [ou dispersar?] um plantel de internacionais que até já foi campeão é uma "solução" de loucos que um Clube com uma gestão competente, sobretudo, depois do "desastre Artur Jorge" nunca permitiria que se cometesse!
A menos que houvese dinheiro para comprar ao nível do Madrid ou do Chelsea e aí, então valeria a pene trocar...
Mas dispensar Aimar, o futuro nº 10 do Benfica, depois de Coluna e Rui Costa...] Cardozo [o melhor marcador do Clube] ou Carlos Martins [um todo-o-terreno de qualidade comprovada] com o indescritível Roberto não configuará uma competitivamente suicida ilustração do velho cliché do deitar fora o bébé com a água do banho?

Que vá o Roberto, mesmo sem retorno financeiro --eis um óptimo acto de gestão, no plano imediatamente desportivo e até mediaticamente finasnceiro: esse fulano, com as suas asneiras, fez sozinho o Clube perder mais dinheiro do que todo o plantel que o Benfica agora quererá dispensar, junto!

Eu fui dos que apoiatram a entrada de Jorge Jesus no Benfica: terei legitimidade para, admitindo ter-me enganado redondamente quanto à sua efectiva capacidade, assumir agora publicamente a posição de querer, para bem do Clube, o sweu afastamento, ao menos dos centros de poder do "meu" pobre Benfica!

É porque assim não acontece que eu penso que o futuro do Clube tem de passar por uma compra por parte de investidorezs privados capazes de perceberem, "à inglesa", como se gere uma empresa produtora de espectáculos desportivos!

O tempo do amadorismo já lá vai, no campo e também fora dele.

Num clube a sério, nunca aconteceria o escandaloso «leilão de campeões» que se anuncia...

De boa vontade cederia o meu simbólico lote de acções da SAd se fosse para que uma administração profissional [leia-se: competente] tomasse conta dos destinos do maior clube português.

domingo, 15 de maio de 2011

"Boas Novas benfiquistas"

Tenham cuidado os outros clubes!



...O Roberto, o grande pecado do Vieira e o verdadeiro vencedor da última Liga, que ganhou para oferecer a quem sem essa ajuda talvez não merecesse, parece que vai, finalmente, "com caixas"...



Ou como, de forma muito pitoresca, diz o meu "sobrilho" Ricardo Mira, "Vai com os porcos"...




[Imagem ilustrativa acabada de extrair da Net de bibo-porto-dot carago-dot-blogspot-dot-com]

segunda-feira, 2 de maio de 2011




Do "Record": Roberto já custou 9 pontos"!
Até quando, Rui Costa?


Até quando vai este equívoco continuar?


Quem manda no Benfica, afinal?


Quem contrata?


O treinador?


Pois, exijam-se-lhe responsabilidades!


O Roberto é um guarda-redes de andebol com bons reflexos mas sem técnica nem "escola": não sabe sair e, pelos vistos, ninguém lhe ensina!...


Mas não é para isso que lá estão os treinadores?!..


Então, co-rersponsabilizem-se estes pelas "barracadas" do guarda-redes e pelos pontos que ele já fez perder! Ele que "valia pontos"...


E ainda se fosse só esse!...


Mas o Kardec é uma patética imitação uma lamentável caricatura de avançado, um autêntico cepo com pernas; o Weldon está à bica para ser "despachado", o Fernandez só de vez em quando "sai da caixa" onde o guardaram, ninguém sabe exactamente para quê...


Que diacho pensav esta tropa fandanga que vai fazer à Liga Europa?



Para já, o adversário é o Braga mas a "barracada" que se prevê não repercute só internamente!


Há no Clube uns fulaninhos patuscos que andam a hipotecar impunemente o prestígio do Benfica!...




Até quando, volto a perguntar?!...




O ciclo Jesus parece esgotado.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O Benfica...



...e a preparação da nova época!



[Imagem ilustrativa "generosamente cedida" por por abrantes-dot-blogs-dot-sapo-dot-pt]

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

"Com defensores destes, quem precisa de detractores?"


O Sporting´[digo-o sem sombra de sarcasmo!] é um grande clube que não merecia ser representado por alguns figurões indescritivelmente inábeis que, actuando em seu nome, tudo fazem para lhe criar embaraços e somar dificuldfades aos inúmeros problemas que já afligem o clube.

Tive ontem ocasião de confirmá-lo perante a crise histérica sofrida em directo por um dos mais mediáticos "notáveis" do clube que na TVI resolveu, a pretexto de minimizar a vitória do Benfica no 77º derby , "linchar" publicamente, em termos profissionais, o treinador da própria equipa, na sequência de um outro tiro no pé dado por um candidato à presidência do clube que recentemente interrogado sobre se, quando/se fosse eleito iria rever a composição do plantel sportinghuista repondeu afirmativamente referindo-se à "evidente necessidade e até urgência de fazê-lo", desvalorizando, desse modo, na prática e para todos efeitos, o actual grupo de jogadores ao serviço do clube.

Não será muito difícil imaginar como se sentem os jogadores ao entrar em campo para defenderem um clube que não acredita neles [ou, pelo menos, em al«gunas deles, de resto, não identificados] nem como será recebido pela "rua" sportinguista daqui em diante o trabalho de um treinador "linchado" profissionalmente, em público por um associado "notável", cm plana crise aguda de incontinência verbal.
Tenho para mim que o mau início de época do Benfica não pode ser dissociado da descrença que pode ter invadido os espíritos dos jogadores da equipa principal de futebol resultante dos contínuos lamentos do seu treinador envolvendo as saídas de Di Maria e Ramires, lamentos esses naturalmente sentidos por todos, joggadores obviamente incluídos, como um atestado de menoridade e incompetência passado aos futebolistas do Clube que ficaram a defendê-lo e designadamente às novas contratações uma delas, tendo aliás sido decisiva para a vitória de ontem: Nicolás Gaitan, vítima futebolística, durante muito tempo, da confessa nostalgia institucional amiúde manifestada, como digo, relativamente aos jogadores em causa...
A quem fala em representação dos clubes exige-se naturalmente contenção e inteligência no discurso, sabendo nós que um disparate pronunciado na televisão está em geral condenado a tornar-se verdade absoluta, pouco tempo depois.
Perante crises histéricas como a de ontem à noita é quase irresistível a tentação do recurso a uma paráfrase de um célebre cliché: De facto, com defensores e "notáveis "destes, quem precisa de atacantes ou arruaceiros?...
Aklém de um deplorável sinal de mau perder, funcionam os casos que citei como um incentivo ao desânimo de um plantel e de um técnico completamente abandonados por dirigentes irresponsáveis e sem a mínima noção do respeito devido aos adeptos, dirigentes que, incapazes de reconhecer as culpas próprias, preferem fazer as malas e "pôr-se a milhas" das situações por si criadas e/ou consentidas abandonando à sua sorte aqueles que, em dado momento foram buscar para representar o clube, desresponsabilizando-se, em seguida, daquilo que é, afinal, um acto de gestão cuja responsabilidade tem naturalmente de ser-lhes imputada.
[Na imagem: separata de um velho "Mundo de Aventuras", representando as equipas principais de futebol do Benfica e do Sporting, preparadas para disputar um jogo da Taça de Portugal, referente à época de 1951-52

domingo, 12 de dezembro de 2010

"Dio! Come Siamo Caduti in Basso!..."


No dia para que está marcada a derrota com o Braga, descubro no atuleirus-dot-com esta coisa com piada para quem como eu se vê, por vezes, compelido pela força das circunstâncias a ter do benfiquismo uma visão francamente mais masoquista [e até cinicamente auto-punitiva] do que gostaria...
[Oh! Diacho! Sinto-me enganado! Descubro, com surpresa, que afinal, não perdemos o jogo!
Meu Deus! Quem estará a... descaracterizar o futebol do meu clube?!...]

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

"O Benfica e Alguns Outros ... Equívocos" [por rever]


O Benfica voltou ontem a perder---o jogo e uma pipa de dinheiro---tem um passivo inimaginável de quase 400 [quatrocentos!] milhões de euros; tem [ou teve] uma estratégia de altíssimo risco que envolvia uma ousadia financeira inicial inédita e brutal; tem, sobretudo, uma equipa mal-escolhida, mal-estruturada e mal-conjuntada, [mal] preenchida com os "caprichos" e as "iluminações", os relâmpagos de "génio" e as "fulgurações" de atrevimento do seu [ainda] treinador, um plantel incapaz de render quaisquer dividendos relevantes ao investimento feito; um treinador cuja carreira prometia, de facto, muito mas que era, afinal, fogo de palha e deslumbramento e que, feitas as contas, durou um ano; joga num campeonato inexistente ["do pescoço pasra baixo" aquilo é quarta ou quinta divisão europeia] está, no plano do mercado televisivo, hoje-por-hoje, a mina-de-oiro dos clubes, refém das patifarias de toda-a-espécie-de-gentinha que chegou a escolher para liderá-lo.

O drama do Benfica e especificamente do seu presidente é que são, cada um a seu modo, eles mesmos de outro campeonato relativamente a quem os serve.

O Benfica já há muito que devia ter formado ou encontrado um director desportivo, um manager, um gestor e estratega com dimensão pessoal e capacidade efectuiva para começar a preparar o processo de "exportação sistémica" do Clube---deixemo-nos de meias palavras: o único em Portugal que vale dinheiro e com dimensão global, ao menos potencial---começando na venda do mesmo a um proprietário privado sólido [se os há ou não assim por aí aos pontapés "isso são mais quinhentos", é verdade mas não vejo alternativa, ou melhor: vejo mas é mais... "disto"!] e continuando na aposta num campeonato europeu para o que pode contribuir com audiências e portanto dinheiro que não estão ao alcance de mais ninguém em Portugal.

É uma falsa questão dizer que a empresarialização integral dos clubes mata o futebol: a empresarialização é um processo que não pode interromper-se carregando espontaneamente num interruptor.

Não se pode estar "um bocadinho" no mercado e "outro bocadinho" fora dele.

Quer dizer: pode mas---lá está!---o resultado é este e pode ser pior ainda quando surgir "a conta"...

A passagem dos clubes a SADs, algumas de farsa não resolveu aquele que era o problema, a doença crónicas, dos clubes em Portugal: o não serem nem carne nem peixe, parasitando o Estado e subsistindo numa escandalosa vida de "demi-mondaines" institucionais postas "por conta" de um Estado que durou, naquela forma, quarenta e oito anos mais do que deviva.

Hoje, com poucas excepçãos "já não há" clubes: há pequenas e médias e empresas promotoras de espectáculos para-desportivos ou "de tipo originalmente desportivo" que tentam, muitos deles desesperadamente, sobreviver vendendo uns esses mesmos espectáculos, outros meras contrafacções e hábeis falsificações, pirateadas com a escandalosa cumplicidade dos poderes públicos [o "nosso", actual, não é, sob inúmeros aspectos melhor do que aquele que vigorou em Portugal nos tais quarenta e oito anos de má-sina e atraso consistente] aproveitando a "boleia" dos primeiros.

Não faz, por isso, qualquer sentido económico e financeiro---qualquer sentido estrutural---falar de clubes, de desporto ou de descaracterização sistémica a evitar a todo o custo, em nome da pureza identitária, a propósito da manutenção das actuais quasi-empresas promotoras de espectáculos competitivos na sua acvtual configuração ambígua e disfuncionalmente híbrida.

Há em Portugal meia dúzia de empresas e grupos económicos restaurados que vivem "com a cabeça na Europa"; todo o País vive, de resto "com a cabeça na Europa e no mundo mas o resto do corpo em África---e esse é, de resto, o seu drama, a sua maior tragédia: está "como o tolo em cima da ponte" e leva consigo a ideia, hoje-por-hoje, completamente obsoleta de "clubismo".

Os grandes grupos económicos restaurados em Portugal vivem para exportar, vivem do e para o mercado externo e não podem, aliás, deixar de ser assim: há uma lógica sistémica muito precisa e concreta que impõe que seja assim.

A questão não é o desenvolvimento: é a organização social e política do mesmo.

É o modo como são treintegrados na sociedade, como são ressocializados, os lucros do próprio desenvolvimento.

Ninguém pode ficar escandalizado com um Benfica jogando no campeonato do Real Madrid ou do Bayern e com jogadores pagos em conformidade, se [a] produzir um espectáculo competitivo efectivo, respeitavelmente concorrencial e de qualidade; [b] existir assim um mercado ao qual o nível de vida global efectivo da população nacional permita sem sacrifícios intoleráveis aceder; isso existir sem sacrifício de qualquer outro tipo de espectáculo, que é como quem diz, citando uma antiga mot d'esprit de António Lopes Ribeiro, sem que a existência de estádios signifique a inexistência inversamente proporcional de estúdios...

A propaganda "pró-ocidental" fingia em tempos indignar-se muito com o retorno financeiro dos atletas das equipas soviéticas ou leste-alemãs [não estou a falar de doping de estado nem de uma concepção completamentre errada de concorrência e de uso político do desporto, ham?] ou até com o dos bailarinos do Kirov e do Bolshoi.

Mas o problema não era o de quanto ganhava essa elite: era o de quanto ganham os outros, os que não eram elite, o conjunto da soaciedade de onde essa elite emergiu.

De onde ela pôde emergir por haver oferta generalizada, por um lado, falando no plano estritamente técnico e pelo facto de o seu aparecimento não ser feito à custa do sacrifício indecoroso das condições de vida e da ignorância do conjunto da sociedade, falndo agora naquilo que verdadeiramente interessa e que são as condições de vida das populações, o verdadeiro desenvolvimento.

Até porque, voltando, ao caso nacional, só se podem ter empresas a render dividendos, no caso competitivo, se o nível global de vida dessas mesmas populações for razoável e sustentavelmente equilibrado.

Se as pessoas não tiverem dinheiro para adquirir o produto futebol ou o rugby ou o andebol não há---não pode haver---grandes empresas promotoras de espectáculos.

Não colhe tão-pouco dizer-se que as pessoas vão ver os jogos de um Benfica mas apenas porque é o Benfica e não uma marca comercial qualquer; e eu pergunto: numa dos mais prósperas [e directa e indirectamente, ambientalmente nocivas, aproveito para dizer...] negociatas competitivas que se conhecem, a fórmula um, que clubes pagam as pessoas quantias por vezes dificilmente imagináveis para ver em acção?...

O problema está, a meu ver, longe de ser esse: o problema reside na falta de capacidade financeira, nos gravíssimos desequibrios estruturais, no fosso entre ricos e pobres, entre estabilidade e precariedade de rendimentos na sociedade portuguesa [é, sobretudo, dela que aqui falo, é ela que aqui especialmente me interessa].

As modalidades em Portugal não são sustentáveis porque existe uma cultura "do futebol" longos anos fomentada ou deixada fomentar pelo poder e para esse, "tant bien que mal", ainda vai havendo, sabe... Zeus à custa de quê, dinhero.

Aliás, eu nunca percebi muito bem por que razão, volta-e-meia, lamuria uma certa facção bem-pensante da sociedade portuguesa contra essa "cultura" simplesmente por ser o futebol a estar em causa quando se se tratasse do rugby, do voleibol ou do chinquilho, nas mesmas exactas condições económicas, sociais e/ou cultu[r]ais e até políticas o problema seria, na essência, exactamente o mesmo.

...E tão-pouco deixaria de ser, de resto, se, em vez de qualquer deles fossem todos ao mesmo tempo e se todos os jornais desportivos juntos falassem ainda, além deles, na malha, no jogo de damas, etc.

O que é mau não é que as pessoas não distribuam a alienação económica, social, cultural e política que caractreriza a sua postura cívica ou civil e política por um conjunto mais ou menos alargado de modalidades competitivas: o que é mesmo mau é que elas sejam alienadas---mas é preciso entender que não deixariam de sê-lo se ao futebol, juntassem, a fim de concretizar o seu modo alienado de relacionar-se consigo mesmas e com o conjunto da comunidade em que [não] se integram, com a História, com a Política, com a Cultura um conjunto de formas e modos circunstancialmente diferentes daquele a que já hoje, em situação de quase obsessiva preferência, recorrem.

Portugal, insisto, não é mercado para grandes voos: não devia, por exemplo, "estar na Europa"---e de facto não está.

E não é obviamente por acaso que não está.

Sócrates é uma inexistência política cada vez mais inquietante mas, justiça lhe seja feita, se fosse um político a sério o resultado seria provavelmente o mesmo, por razões sistémicas profundas.

Essa realidade sistémica é muito clara no futebol.

Os economistas portugueses, o conjunto de imbecis mais habilitados que conheço, gostam, por exemplo, de citar o "caso" do Futebol Clube do Porto como um "exemplo de boa gestão... desportiva".

Ora, o que diriam---o que diria qualquer um de nós!---de uma empresa que incapaz de subsistir do comércio dos produtos que fabrica, desatasse a desfazer-se das máquinas, do mobiliário, dos camiões e a considerar a dispensa dos seus melhores técnicos vendedores um "êxito de gestão" e as quantias embolsadas ou deixadas de desembolsar, que é como quem diz: desinvestidas no desenvolvimento do projecto original da empresa, notabilíssimos "lucros de gestão", genuínos "ganhos de produtividade" e por aí fora?

Provavelmente, se ainda não tivessem enlouquecido de todo, que se tratava de "engenharia de gestão" e que uma tal deformação da filosofia da empresa apenas era possível por se tratar de uma empresa objectivamente insustentável e em estado de falência potencial crónica.

Já não é segredo para ninguém que, se em vez de "produtos em abstracto", disserrmos "espectáculo competitivo"; se em lugar de "empresa", dissermos "SAD" e de "operários" e "vendedores", dissermos "futebolísticas" é nesse estado de desfuncionalidade crónica e [por que não dizê-lo?] des/estrutural que vivem os clubes das ligas periféricas e por maioria de razão, aqueles que como o tal Futebol Clube do Porto dispõem [até em resultado do modelo regionalmente confllituoso, regionalista mesmo, no pior sentido da palavra e globalmente 'provinciano' por que optaram] de margem de manobra num mercado que é quase exclusivamente local.

A mim, pessoalmente, pouco me interessa o clube e os seus problemas: não posso é deixar de observar que, se o modelo é esse, muito mal vai, de facto, a competição em Portugal e muito escassas são as suas perspectivas de deixar de sê-lo.

Porque assentar em num regime de receitas extraordinárias transformadas em modo de subsistência ordinária, funcionando como empresa produtora de espectáculos de dia e como entidade agenciadora de jogadoes à noite patrece-me francamente ser tudo menos um sucedâneo de um quadro empresarial competitivo racionalizado o que quer dizer dimensiionasdo à escla natural ditada por um mercado interno curtíssimo ou, em alternativa, por um externo, se se conseguir estruturadamente ter acesso a ele.

Esse, sim, seria, repito, o paradigma racional---um paradigma que, para já, o Benfica, com Jesus a treinador [e eu fui assumidamente dos que lutaram para que o Benfica o contratasse e ele até começou por justificar as experanças e expectivas---que eram e já não são as minhas mas, de igual modo, de cidadãos com muito maiores responsabilidades, até, neste domínio do que eu, como o Prof. Manuel Sérgio, por exemplo]; com estes jogadores em grande parte por ele [mal] escolhidos e com este director desportivo, Rui Costa cujas funções actuais no organigrama do Clube deixaram, aliás, há já algum tempo, de ser completamente claras e inequívocas; um paradigma que, dizia, o Benfica acaba de falhar e de forma verdadeiramente estrondosa.

O Clube tinha, como disse, uma estratégia de risco que mais uma vez, desenhada fora dele, ruíu, colapsou, fragorosamente, no campo.

Agora, com um passivo colossal para a realidade interna, o Clube vai obviamente ter de redimensionar-se, de vender jogadores, de recorrer à cantera [se existe realmente, o que eu duvido mas enfim---não creio que possa, responsavelmente, esticar mais a corda dos riscos e voltar ao mercado jogando tudo numa Liga Europa, um troféu residual e menor para a qual tudo indica não está, apesar disso, minimamente preparado; para rentabilizar a respectiva participação na qual lhe falta manifestamente estrutura e dimensão competitivas, qualidade, cultura ganhadora; diminuir competitivamente jogando na capitalização imediata dos activos negociáveis e desinvestindo substancial mas, sobretudo, substantivamente na competição, atravessando um relativo deserto competicional, até nova aberta que tem, porém, de ser relançada "com pinças"---que o mesmo é [por muito que tal custe!] dizer: reduzindo-se, para já, à sua evidente in-significância.

Despedindo o treinador, também?

Essa, devo dizer, é para mim, para já, a grande dúvida e só conhecendo in loco a realidade do Clube---a começar pela da relação de Jesus com os jogadores no sentido de perceber qual a sua capacidade real para motivá-los ainda e para levá-los a superarem-se no imediato, além do estado presente da sua aptidão técnica e táctica [que para mim já está, todavia, claramente em questão, devo dizer]---só conhecendo in loco, dizia, todos esses factores e condicionantes é possível responder a essa pergunta que, todavia, não pode, em caso algum, ser posta em termos de eufónica "bem pensância e política correcção", como é típico de um certo nacional-porreirismo solidamente instalado nos nossos hábitos mentais eternamente flutuantes e sempre formados e formulados tão "portuguêsmente" em cimma do joelho e ao sabor das emoções fáceis de momento.

Mas, como digo, essa deixou, para mim, já há algum tempo, de ser uma questão pacífica e um ponto acima de qualquer questionamento...

No mínimo...

domingo, 28 de novembro de 2010

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Por que creio em Jesus... [rascunho, muito incompleto]


Eu explico já, se me dão licença as razões para a minha conversão...
Devo começar por dizer que eu era completamente ateu até aquele que é o actual técnico do Benfica ter ido treinar o "velho Belém" ...
Ai, vi a... luz.

Estou a brincar, obviamente.

O Jesus de que falo aqui é o Jorge, o "Monas", o antigo futebolista de nível mediano que se converteu num extraordinário treinador que [felizmente, para mim e para o Clube!] decidiu elevar esta segunda carreira profissional---a de treinador---à máxima potência ou maior denominador nacional comum que é obviamente o "meu" Benfica.

Gosto de Jesus, primeiro, porque é um técnico extraordinário e eu sou adepto de um Clube extraordinário; depois, porque não é [deixem-me lá recorrer aqui à ajuda de um lugar-comum que dá sempre muito jeito, nestes casos!] porque não é politicamente correcto e eu detesto gente dessa "família" ou desse "clã", infelizmente tão comum em Portugal; por fim, porque me parece ser das poucas pessoas entre nós que, quando fala, transmite a ideia de saber exactamente o que quer dizer e por que o diz e não de estar a ler [ao sabor do acaso, ainda por cima...] palavras soltas de um dicionário malaio-cipriota ou turco-servo-croata...

Há quem diga que não sabe falar---o que num país de gente que SÓ SABE falar temos de reconhecer não deve ser coisa fácil de digerir---e, sobretudo, de perdoar...
Não saberá mas também, "isto é como o outro", com o tal acordo que os sábios "socráticos" nos querem impingir quem é que pode gabar-se de saber, não é?...

Ainda se fosse inglês técnico ou coisa assim... agora Português!...

Bom mas, dizia eu, que há muita gente de "sólida cultura" e invejável "erudição" no futebol português [daqueles que mandam médicos para a não-sei-quê-da mãe e batem em jornalistas---"vocês sabem de quem é que estou a falar"!... Eh!Eh!Eh!] que podia aprender com o 'portuguezinho das dúzias', esclarecido e cheio de talento a exprimir aquilo que os... "sábios" [entre os quais me incluo, por razões que mais abaixo, se tiver tempo, detalharei...] ou alguns deles [os que ainda sabem como se faz e já não são assim tantos como isso...] pensam.

Do "Diário de Notícias" de 12.09.10, com efeito, retiro a citação de uma coisa que há muito eu próprio penso e que eu tenho de reconhecer que dificilmente diria com a precisão e o esclarecimento com que o faz o treinador do meu Clube.

Ora vejam.

A propósito do jogo com o Vitória de Guimarães em que uma arbitragem absolutamente inqualificável de má [de um árbitro que já tinha antes demonstrado estar convencido de que uma bola palmo-e-meio-dois-palmos dentro da baliza não é golo...] fez demonstravelmente o resultado e baralhou por completo uma classificação que, sem isso, seria, obviamente outra, substancialmente diferente.

Sucede que, após o jogo em causa, os jogadores do Benfica retiraram para os balneários cabisbaixos, desmoralizados, revoltados, com a moral feita em... fanicos.
E como geriu isto Jorge Jesus?

Bom é aqui que faço entrar a citação de que há pouco falava.
Diz, então, o jornal:
"Prejudicados ou não, o técnico, que sentiu o balneário desanimado com o trabalho de Olegário Benquerença, apontou logo baterias para o futuro, tentando deixar para trás o que se tinha passado no relvado do Dom Afonso Henriques.

Mas a conversa de balneário.
Alguns pontos:
Primeiro, como é que se sabe tudo isto, cá fora?

Não tenho resposta certa, segura, obviamente mas, sendo Jorge Jesus o homem astuto que é e Rui Costa o dirigente avisado e esclarecido que já demonstrou, pelo seu lado, ser, gostaria de acreditar que se soube porque o Clube quis que se soubesse a fim de que aos sócios e simpatizantes benfiquistas chegasse mais ou menos... 'obliquamente' a mensagem de que os jogadores estão determinados a não deixar-se abater pelos acidentes de percurso como aquela deplorável arbitragem de Guimarães e que assim eles próprio adeptos [e por mim falo que, confesso, não fiquei exactamente empolgado após a terceira derrota consecutiva no campeonato...] o devem estar, também.
O que se "encaixa", aliás, perfeitamente naquela outra iniciativa envolvendo comunicados e... recomunicados aos órgãos de comunicação social que são, do lado do Clube, outros tantos movimentos estratégicos de intervenção e... sério aviso no sentido de se pôr um ponto final num estado de coisas com influência [negativísima!] directa numa indústria que envolve investimentos vultuosos e por isso riscos financeiros consideráveis, na proporção directa daqueles.

[Pode-se, noutro plano discutir, como ainda há pouco, um amigo meu fazia, aliás, se não é questionável---para não dizer: se não é escandaloso...---não só que tanto dinheiro vá para o futebol como, sobretudo, por outro lado, que muitos daqueles que mobilizam e se mobilizam para intervir contra "coisas" como esta num domínio reconhecivelmente não-determinante e não-essencial para a vida das pessoas e das sociedades como é o futebol seriam incapazes de fazê-lo para intervir precisamente naquelas áreas e domínios da nossa vida colectiva que o são.

Eu acho que sim e em ambos os casos, devo desde já dizer sem reservas.
Agora, sobretudo neste último caso, uma coisa não exclui a outra, ham?
A diversão das pessoas como aqueles aspectos da vida que são determinantes para o bem estar e para a dignidade delas possuem o seu lugar específico na própria vida e o problema não é, em última instância, necessariamente se se intervém demais num dos dois domínios: é, exactamente ao contrário, se se intervém de menos no outro, o que faz a sua diferença, ham?...]

Bom mas voltando à nossa análise das declarações de Jesus:
Segundo ponto: o Benfica foi clamorosamente prejudicado no jogo de Guimarães tal como, em menor escala o havia sido no anterior com a Académica de Coimbra, isso é tão mais irrefutável quanto o próprio dirigente máximo da arbitragem em Portugal, já o reconheceu expressamente.
Agora, uma coisa é a "ajuda" que nos dão de fora para perdermos; outra, é aquela que nós próprios para isso involuntária mas de modo algum irrelevantemente damos.

E o Benfica deu-a.

Deu-a com a dispensa [vista do exterior, precipitada] do guarda-redes experiente e genericamente qualificado que fora campeão na época anterior.
Deu-a com a contratação pelo preço de uma estrela de um guardião que o não era e que, por isso, para valer o investimento, devia ter sido contratado no pressuposto da manutenção do anterior a fim de que ele pudesse ir-se gradualmente adaptando e encaixando nos mecanismos e dinâmicas de jogo da equipa.

Deu-a com a dispensa [aliás, em si mesma, inevitável] de dois jogadores absolutamente essenciais para a conquista do título, Ramires e Di Maria, uma cedência, porém, muito mal preparada em termos de suplentes ou da alteração bdo próprio modelo de jogo.
E deua-a obviamente com o facto de o investimento feito no guarda-redes espanhol de que atrás falo que, de tão vultuoso, bloqueou uma série de soluções exactamente para este último aspecto de que falo.

Portanto, se é estrategicamente avisado, começar já muito determinadamente a "marcar terreno" em matéria de comunicação para o exterior ["to whom it may concern", como dizem os anglo-saxónicos nestes casos...] não o é menos [e eu tiro o meu chapéu a Jorge Jesus por ter tomado, ele próprio a inciativa---absolutamente essencial---de não deixar escapar esse... "pormenor"] reflectir muito setiamente sobre aquilo aquilo que há a fazer internamente para resolver os problemas do rendimento da equipa de futebol, profissional do Clube.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

"Ah Ganda Benfica!"


Eh! Pá! Vocês matam-me do coração!...
Se não for com os choques, é com as alegrias como a de ontem!...
Ah! "Ganda Benfica"!
Bolas! Pá! Se é da sorte de um homem nesta Terra fazer figuras tristes, ao menos que seja... por uma boa causa, não?...
Vivó Glorioso, pá!...