Mostrar mensagens com a etiqueta Música e Músicos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Música e Músicos. Mostrar todas as mensagens

sábado, 22 de janeiro de 2011

Joan Manuel Serrat - Cantares



La muerte me ha muy recientemente visitado, la aguardava en ela cais de embarque pronto para segirla, como siempre ligero de equipaje casi desnudo con o los hijos de la mar

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Mario Lanza - Toselli's Serenade

Um magnífico momento musical---e vocal.

terça-feira, 6 de julho de 2010

VICTORIA de los Angeles WOHIN? Schubert FILM 1957

Schubert e Victoria: música de... "los angeles"...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Papageno-Papagena Duet

Mozart: a divindade artística absoluta!...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Cecilia Bartoli

Uma das coisas mais esplendorosamente líricas alguma vez concebidas e [assim] cantadas: Mozart e Bartoli reunidos num momento absolutamente sublime de Arte e paixão.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

terça-feira, 20 de abril de 2010

"Soldier Blue"

"Soldier Blue": shadows of love and guilt...

Lyrics of "Soldier Blue" song as written and sung by Buffy St. Marie

I look out and I see a land
Young and lovely hard and strong
For 50,000 years we've danced her praises
Prayed our thanks and we've just begun
Yes, yes
This this is my country
Young and growing
free and flowing
sea to sea
Yes this is my country
Ripe and bearing miracles
in every pond and tree
Her spirit walks the high country
giving free wild samples
and setting an example how to give

Yes this is my country
Retching and turning
She's like a baby learning how to live.
I can stand upon a hill at dawn
look all around me
Feel her surround me
Soldier Blue
Can't you see her life has just begun?
It's beating inside us
Telling us she's here to guide us.
Ooo Soldier Blue, Soldier Blue
Can't you see that there's another way to love her?

[SOLDIER BLUE, Buffy Sainte-Marie © Gypsy Boy Music-SOCAN
I wrote this song as the title theme for the movie "Soldier Blue" and it became a hit in Europe, Japan and Canada during the summer of 1971. But the movie disappeared from U.S. theatres real fast, so few Americans are familiar with it. As there's a difference between love and rape, the same differences exist in how one views their country. "Soldier Blue" is not about loving one's "nation state"; it's about loving the natural environment in which all nations are related as children of the Sacred. Chris Birkett plays guitar. ]


http://www.youtube.com/watch?v=vmzAuOUwpyw

http://www.youtube.com/watch?v=vmzAuOUwpyw

sexta-feira, 16 de abril de 2010

"I Live One Day At A Time"

I live one day at a time
I dream one dream at a time
Yesterday's dead, and tomorrow is blind
And I live one day at a time.

Bet you're surprised to see me back at home,
You don't know how I miss you when you're gone
Don't ask how long I plan to stay
It never crossed my mind
'cause I live one day at a time.

I live one day at a time
I dream one dream at a time
Yesterday's dead, and tomorrow is blind
And I live one day at a time.

There's a swallow flyin' across a cloudy sky
Searchin' for a patch of sun so high
Don't ask how long I have to follow him,
Perhaps I won't in time
But I live one day at a time.

I live one day at a time
I dream one dream at a time
Yesterday's dead, and tomorrow is blind
And I live one day at a time.
And I live one day at a time.




[Na imagem: "Girl With Crossed Arms" por Loretta Lux]

sábado, 10 de abril de 2010

"Beethoven an die Freude"

http://www.youtube.com/watch?v=-kcOpyM9cBg

[Na imagem: "Double Happiness", Chinese symbols]

"Um Texto Musical..."

... que oiço frequentemente, sempre com o mesmo enlevo da primeira vez: "Non Ti Scordar di Me" na voz luminosa de Luciano Pavarotti

http://www.youtube.com/watch?v=tof2f9G0F6Q

Partirono le rondini
dal mio paese
freddo e senza sole,
cercando primavere di viole,
nidi d'amore e di felicita.
La mia piccola rondine parti
senza lasciarmi un bacio,
senza un addio parti.
Non ti scordar di me:
la vita mia legata e a te.
Io t'amo sempre piu,
nel sogno mio rimani tu.
Non ti scordar di me:
la vita mia legata e a te.
C'e sempre un nido nel mio cor per te.
Non ti scordar di me!
Non ti scordar di me!
ecc.


[Imagem extraída com a devida vénia de maggymoon-dot-wordpress-dot-com]

"!"


O mundo começa a tornar-se decididamente um lugar hostil e francamente inquietante quando olhamos à nossa volta e constatamos que invariavelmente as mulheres por quem nos apaixonamos se tornaram, de repente, todas elas, uma espécie de... heroínas de Nabokov e Kubrick...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

"«Into White» de Cat Stevens"



Into White

I built my house from barley rice
Green pepper walls and water ice
Tables of paper wood,
windows of light
And everything emptying into White.

A simple garden, with acres of sky
A Brown-haired dogmouse
If one dropped by
Yellow Delanie would sleep well at night
With everything emptying into White.

A sad Blue eyed drummer rehearses outside
A Black spider dancing on top of his eye
Red legged chicken stands ready to strike
And everything emptying into White.

I built my house from barley rice
Green pepper walls and water ice...
And everything emptying into White...

Cat Stevens

[Na imagem---"Seascape", instalação de Kay Rosen---extraída com vénia de idnworld-dot-com]

"Colours"


Yellow is the colour of my true love's hair,
In the morning, when we rise,
In the morning, when we rise.
That's the time,
that's the time,
I love the best.

Blue's the colour of the sky-y,
In the morning, when we rise,
In the morning, when we rise.
That's the time,
that's the time,
I love the best.

Green's the colour of the sparklin' corn,
In the morning, when we rise,
In the morning, when we rise.
That's the time,
that's the time,
I love the best.

Mellow is the feeling that I get,
When I see her, m-hmm,
When I see her, oh yeah.
That's the time, that's the time,
I love the best.

Freedom is a word I rarely use,
Without thinking, m-hmm,
Without thinking, oh yeah.
Of the time, of the time,
When I've been loved.

Donovan

[Imagem extraída com a devida vénia de photoshopessentials-dot-com]

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

"«Le Métèque» de Georges Moustaki"


Hoje foi,, pelos vistos, dia de canções e de... decisões.

Entre estas últimas está a de usar de uma inifinitamente maior parcimónia e uma muito menor exposição pessoal nos vários uso a dar à Net [abandonar definitivamente o convívio desse inominável "Facebook"---um dos mais inimagináveis e dificilmente descritíveis exercícios de futilidade---o grau zero absoluto de sentido para os nossos actos, receio bem ter de dizê-lo---que re/conheço---mas não só: o resto---quanto mais não seja, por absurdo---entrará (como se diz a propósito das leis) imediatamente a seguir, em vigor.]

Já entre as primeiras [aquilo que verdadeiramente aqui interessa] depois, de "Twilight Time" cujo poema reproduzo imediatamente a seguir, figura esta revisitação de uma das mais belas canções de amor que alguma vez ouvi [e se eu a ouvi---e oiço!]: "Le Métèque" de Georges Moustaki que, igualmente, reproduzo sem qualquer comentário que a beleza pura do poema [feito para ser longamente saboreado e seriamente meditado, de forma autónoma, por cada um de nós, antes de ser adequadamente reinserido na música, também ela, de resto, de Moustaki, e a canção escutada como o todo que, na realidade, é---e que todo ela é!] absolutamente dispensa.


Avec ma gueule de métèque,
De Juif errant,
de pâtre grec
Et mes cheveux aux quatre vents,
Avec mes yeux tout délavés
Qui me donnent l'air de rêver,
Moi qui ne rêve plus souvent,
Avec mes mains de maraudeur,
de musicien et de rôdeur
Qui ont pillé tant de jardins,
Avec ma bouche qui a bu,
Qui a embrassé et mordu
Sans jamais assouvir sa faim...


Avec ma gueule de métèque,
De Juif errant,
de pâtre grec,
De voleur et de vagabond,
Avec ma peau qui s'est frottée
Au soleil de tous les étés
Et tout ce qui portait jupon,
Avec mon coeur qui a su faire
Souffrir autant qu'il a souffert
Sans pour cela faire d'histoires,
Avec mon âme qui n'a plus
La moindre chance de salut
Pour éviter le purgatoire...

Avec ma gueule de métèque,
De Juif errant, de pâtre grec
Et mes cheveux aux quatre vents,
Je viendrai, ma douce captive,
Mon âme soeur, ma source vive,
Je viendrai boire tes vingt ans
Et je serai Prince de sang,
Rêveur ou bien adolescent,
Comme il te plaira de choisir;
Et nous ferons de chaque jour
Toute une éternité d'amour
Que nous vivrons à en mourir.
Et nous ferons de chaque jour
Toute une éternité d'amour
Que nous vivrons à en mourir.

"Twilight Time/Buck Ram/The Platters"

Reproduzo aqui o texto---o 'libreto'...---de uma das mais famosas canções dos não menos [outrora] famosos "The Platters"---"Twilight Time"---como uma espécie de tributo simbólico a todas aquelas coisas [e pessoas!] pelas quais passamos, não-raro vezes sem conto, ao longo da vida, sem que nelas verdadeiramente reparemos, ignorando, desse modo [sabe Deus com que injusto menosprezo, muitas vezes!] os méritos e as qualidades que, em maior ou menor escala, possam possuir.
Lendo, com atenção e como peça autónoma, o poema de Buck Ram descobre-se, provavelmente com surpresa, que não está [longe disso!] isento de méritos próprios---sonoridades francamente harmoniosas e globalmente cativantes ["falling/calling", "deepening", "setting sun", insistência nas vocalidades nasais criando no discurso "cintilações" ou "revérberos" textuais regulares e trasnsmitindo, assim, a reconhecível sugestão global de suavidade e languidez, de voluptuosidade, até: de 'ausência deliberada de ângulos e cores fortes'---a nasalização do discurso induz, com efeito, por um lado, a presença persistente de "sons escuros" ou de "tons vocálicos significadamente escurecidos" assim como, por outro, a de que a 'acção poética' decorre neste instante mesmo; de que ela está em curso,alongando-se segundo uma ideia muito subtil de "longo presente" que se nos oferece, em tempo real, à atenção e à consideração, potenciando-se, desse modo, um desejável estatuto de "sujeito" da mensagem textual conferido ao hipotético leitor]; metáforas e recursos estilísticos/textuais particularmente impressivos, sugestivos e não isentos de originalidade e força poética própria ["out of the mist, your voice", "purple colored curtains mark[ing] the end of the day", "fingers of night", "the afterglow of the day", são alguns desses exemplos] da textualidade impressiva do poema ou, como lhe chamei, do 'libreto' de uma canção particularmente feliz de um grupo, sem dúvida, comercial e até, em larguíssima medida, convencional mas que teve, ainda assim, o mérito incontestável de ter sido, uma coisa e outra, [pelo menos até um dado momento da sua estrondosa carreira] com inegável dignidade e estilo.

Twilight Time

Heavenly shades of night are falling,
it's Twilight Time
Out of the mist your voice is calling,

"'Tis Twilight Time"

When purple colored curtains mark the end of day
I'll hear you, my dear,

at Twilight Time.

Deepening shadows gather splendor as day is done
Fingers of night
will soon surrender the setting sun
I count the moments, darling,
till you're here with me
Together, at last,

At Twilight Time.

Here in the afterglow of day
We keep our rendezvous beneath the blue
Here in the sweet and same old way
I fall in love again as I did then.
Deep in the dark
your kiss will thrill me like days of old
Lighting the spark of love
that fills me with dreams untold
Each day
I pray
for evening
just to be with you
Together,
at last,

at Twilight Time.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

"My Mood Of Late..."


"My Way"

And now,
the end is near,
And so I face the final curtain.
My friends,
I'll say it clear;
I'll state my case of which I'm certain.
I've lived a life that's full
I've travelled each and every highway.
And more, much more than this,
I did it my way.
Regrets?
I've had a few,
But then again,
too few to mention.
I did what I had to do
And saw it through
without exemption.
I planned each charted course
Each careful step along the by way,
And more, much more than this,
I did it my way.
Yes, there were times,
I'm sure you knew,
When I bit off more than I could chew,
But through it all,
when there was doubt,
I ate it up and spit it out.
I faced it all and I stood tall
And did it my way.
I've loved, I've laughed
and cried,
I've had my fill
my share of losing.
But now, as tears subside,
I find it all so amusing.
To think I did all that,
And may I say,
not in a shy way
Oh no.
Oh no, not me.
I did it my way.
For what is a man?
What has he got?
If not himself
Then he has naught.
To say the things he truly feels
And not the words of one who kneels.
The record shows
I took the blows
And did it my way.

Yes, it was my way.

[Na imagem: "Traveller's Tales", colagem sobre papel de Carlos Machado Acabado]

sábado, 9 de janeiro de 2010

"Luiz Góis e uma [imprescindível!] Correcção"

Contactou-me a Amiga Ana, titular da notabilíssima "Encosta do Mar", um dos blogues irmãos do "Quisto" [que é já há uns tempos "visita regular" dessa belíssima "casa de poemas e imagens" que é a "Encosta..."] chamando-me a atenção para o que é indiscutivelmente um imperdoável lapso cometido numa 'entrada' anterior do "Quisto" onde se afirma [mea culpa! Mea culpa!] que Luiz Góis---que tão sublimemente a canta, aliás!---é também, o autor do poema dessa extraordinária "Cantiga para Quem Sonha" cujo texto se reproduz numa homenagem aqui feita a Luiz Góis e António dos Santos.
Ora, sucede, diz-me a Ana, que não é; e não é que não é mesmo!

Não é, de facto: os autores desse extraordinário "instante de pura e arrebatadora beleza" que é a "Cantiga..." são, na realidade, Leonel Carlos Duarte Neves [poema] e João Figueiredo Gomes [música].

Luiz Góis [que também é, de resto, um assinalável Poeta com obra publicada] neste caso "apenas" canta.

O modo como, no entanto, o faz---extraindo do belíssimo texto [e da empolgante melodia que o 'envolve'] toda a gama de potencialidades em matéria de celebração triunfal da própria Vida e da Solidariedade entre os Homens que ela contém---ajuda a compreender o facto de a sua voz poderosíssima ter acabado por se identificar de tal modo com a canção que torna "fácil" o equívoco [e, sobretudo a injustiça!] de quase esquecer os seus verdadeiros autores.

Não fosse a Ana [que me disse, aliás, ir republicá-lo numa "Encosta do Mar" para a qual o "Quisto" se atreve, desde já, a convidar todos quantos sonham encontrar "um lugar acolhedor e tranquilo para ler Poesia"]; não fosse, dizia, a Ana e o seu escrúpulo em matéria de rigor informativo e, desta vez, até o "Quisto" teria cometido o feio pecado de constituir [involuntariamente, embora, como é evidente] obstáculo a que "o seu" fosse muito justamente dado "ao seu [mais do que legítimo] dono", para mais envolvendo um 'objecto estético' verdadeiramente único como é indiscutivelmente esta belíssima "Cantiga"...

Era só o que faltava!...

Depois de um ataque de "azia" que até "meteu" Sade e Luiz Pacheco, uma injustiça destas---e logo cometida com aquela que é definitivamente uma das "canções da vida" do respectivo hospedeiro!...

Ai, "Quisto", "Quisto" não te trates, não e vais ver!...

Com a sorte com que anda o respectivo titular ainda vem de lá um Sócrates qualquer e, apanhando-o desprevenido, o faz para aí ministro da Educação ou da Cultura antes que ele possa esboçar sequer um gesto de defesa!...


"Ele" há dias!...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Na morte de Lhasa de Sela


A propósito do desaparecimento da cantora Lhasa de Sela, falecida de cancro, permito-me reproduzir aqui on comentário que inseri no blog "O Cantigueiro", de Samuel.


"Any man's [or woman's...] death diminishes me because I am involved in mankind"!

"Não conhecia Lhasa de Sela mas choro-a obviamente como ser humano chorando nela todos quantos a Morte leva, em particular se são jovens e, ainda por cima, talentosos.

Diz-se, com inimaginável crueldade e [quase?] sadismo, que a morte leva os que ama---e que os leva jovens precisamente porque os ama.

Eu prefiro chorar todos, jovens e menos jovens, conhecidos e anónimos, "irmãos todos" na humanidade e na dolorosa fragilidade que nos distingue da matéria bruta e inanimada, com as espantosamente intemporais palavras da sublime "Valediction" de Donne com as quais abri este comentário e que são aquelas que, invariavelmente, de imediato, me ocorreram ao espírito em circunstâncias como a presente.

Descansa, pois, em paz, Lhasa!

A gente vê-se, um dia destes, ham?..."

"António dos Santos e Luiz Gois: uma justíssima homenagem pessoal" [Text in the Making]

Luiz Gois

Confessadamente inspirado por uma prática, aliás extremamente louvável, do "Cantigueiro", o blogue do Samuel, que consiste em divulgar nomes de intérpretes, para alguns menos conhecidos mas relevantes da música popular de todo o mundo, decidi hoje, eu próprio, recordar aqui dois nomes [e duas obras] que, para mim, pessoalmente, constituem referências absolutas em matéria poética e musical: Luiz Gois e António dos Santos.

De ambos é seguramente Luiz Gois o mais conhecido: excelente poeta, cantor dito 'de intervenção', músico notável e cidadão digníssimo foi, durante anos barrado pela censura fascista sendo, entre outros, autor do poema admirável [admiravelmente musicado, também] que abaixo se transcreve e recorda---a célebre e notabilíssima "Cantiga para Quem Sonha".


António dos Santos

De António dos Santos, senhor de uma voz inconfundível e de um registo intimista e "artesanal" no melhor e mais genuíno sentido da palavra; não rigorosamente fadista mas originalíssimo intérprete de um tipo de Música que remete directamente para a balada coimbrã [mas muito criativamente revista de modo a ajustar-se primorosamente a essas mágicas "sombras da cidade", de que fala um dos mais belos poemas que cantou] ou mesmo, de uma forma mais remota para uma visão pessoalíssima do canto que evoca, por sua vez, a uma certa distância embora, cauntautores e intérpretes em geral como Pete Seeger, Burl Ives ou, entre nós, o próprio Zeca na sua vertente mais teluricamente 'folk' ['folk' urbano, no caso de A. dos Santos, mas, ainda assim, num sentido muito lato, 'folk'] e menos interventivamente social; de António dos Santos, repito, diria eu que poucos intérpretes [alguma Amália, alguma Maria da Fé, alguma Lucília do Carmo, alguma Hermínia e pouco mais] me fazem tão visceral ou tão seminalmente sentir [ou "com-sentir"?] a cidade de prata onde nasci e à qual, devo dizer, estou ligado por laços de um amor tão estrénuo, entranhado e profundo que nunca morrerá e que se distingue, entre outras igualmente apaixonadas e até um pouco 'loucas', pela característica singular de não suportar ausências demasiado longas---que, no caso da minha história de amor com a Cidade, são, literalmente todas as que excedam... um mês...

Noutra entrada do "Quisto" virá a ser incluída uma letra/poema cantada por este intérprete singular, cantor de uma "liboicidade interior" e "musicalmente escura e afectivamente rouca" só possível de ser realmente sentida por alguns [como, a outros níveis, todos eles muito distintos entre si embora, Cesário, Ary ou esse "bom malandro verdadeiramente irrepetível" que foi o "iluminado da palavra" que dava pelo nome de Alexandre O' Neill]; tudo gente... "lisboeta por vocação" no meio da qual possui, para mim, seguramente um lugar de honra este singularíssimo e assumidamente muito pouco comercial ex marinheiro cujos "cantos" [meio fado, meio confissão, meio... lamento e desabafo e ainda---como se não bastassem... três metades a esta, por isso, singularíssima unidade---meio declaração de amor...] ouço regularmente e sempre com os mesmos comovidíssimos atenção e sentimento da primeira vez.


Cantiga para quem sonha

Tu que tens dez reis de esperança e de amor
grita bem alto que queres viver.
Compra pão e vinho, mas rouba uma flor.
Tudo o que é belo não é de vender
Não vendem ondas do mar
nem brisa ou estrelas, só a lua cheia
Não vendem moças de amar
nem certas janelas em dunas de areia.

Canta, canta como uma ave ou um rio
Dá o teu braço aos que querem sonhar
Quem trouxer mãos livres ou um assobio,
nem é preciso que saiba cantar.

Tu que crês num mundo maior e melhor
grita bem alto que o céu está aqui.
Tu que vês irmãos, só irmãos em redor,
Crê que esse mundo começa por ti.
Traz uma viola, um poema,
um passo de dança, um sonho maduro.
Canta glosando este tema,
Em cada criança há um homem puro.

Canta, canta como uma ave ou um rio
Dá o teu braço aos que querem sonhar
Quem trouxer mãos livres ou um assobio,
nem é preciso que saiba cantar.



Luiz Gois