Mostrar mensagens com a etiqueta Actualidade/História. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Actualidade/História. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

"Toussaint Louverture E A Luta Anti-colonial No Haiti


A propósito do Haiti e da tragédia que sobre o seu povo se abateu recentemente, vale a pena recordar as palavras de Fidel Castro que o "Quisto" reproduz imediatamente a seguir.


O líder cubano Fidel Castro pediu soluções reais e verdadeiras para o Haiti — cuja situação de extrema pobreza, segundo ele, é “uma vergonha de nossa época”.


Em artigo intitulado “A lição do Haiti e publicado nesta sexta-feira (15) no jornal "Granma" [...] Fidel critica as reacções internacionais ao terramoto no país caribenho.


Em sua opinião, a tragédia no país vizinho, apesar de comover as pessoas, não leva à reflexão sobre os reais motivos da pobreza haitiana.


Fidel lembra que o povo haitiano levou a cabo a “primeira grande revolução social do hemisfério sul” — “em que 400 mil escravos africanos, traficados pelos europeus, se rebelaram contra o domínio de 30 mil senhores feudais, donos de plantações de cana e café”.


Para Fidel, o país mais pobre da América foi alvo de um imperialismo desatado, que saqueou suas riquezas.


O Haiti é um produto do colonialismo e imperialismo, de mais de um século de emprego de seus recursos humanos nos trabalhos mais duros, das intervenções militares e extração de suas riquezas.


O líder cubano, de 83 anos, acrescentou que a catástrofe que ocorreu nesse país “é apenas uma pálida sombra do que pode acontecer no planeta com a mudança climática.


E disparou: “O Haiti hoje constitui uma vergonha de nossa época, de um mundo onde prevalecem a exploração e o saque da imensa maioria dos habitantes do planeta.


Vale a pena, com efeito, para além da natural angústia da comunidade internacional relativamente à dramática sorte dos sobreviventes, reflectir com seriedade sobre os aspectos de fundo---políticos, por um lado e ambientais, por outro---envolvidos na tragédia hatiana e, de uma maneira geral, de um conjunto de antigas sociedades coloniais cujas economias, ao contrário da sua vida política, não atingiram [ainda?] a completa independência encontrando-se reféns de agentes locais do neo-colonialismo que substituiu o modelo clássico de dominação colonial directa, chamemos-lhes assim.


Todos aqueles para quem a solidariedade é algo de essencial e efectivo que vai muito para lá das palavras e das lágrimas não deixarão seguramente de fazer essa reflexão e dela retirar as inevitáveis decorrências tendo em vista o modo como foram e continuam infelizmente a ser trastados os países do chamado Terceiro Mundo e inclusivamente algumas pequenas sociedades mais ou menos periféricas ou marginais do dito "primeiro", como a nossa própria, cuja dependência relativamente aos grandes interesses económico-financeiros multinacionais, ainda que de modo menos gritante e ostensivo, não deixam de fazer-se sentir.


No caso haitiano a dependência em causa atinge formas extremas [80% dos haitianios vive abaixo do limiar de pobraza com cerca de um euro diário!] que surpreendem e chocam de modo especial tendo em conta, como recorda o próprio Fidel, que no país teve lugar a primeira grande revolta anti-colonial da qual é indissociável o nome do líder independentista Toussaint Louverture cuja efígie se republica acima, numa gravura de época retirada, com a decvida vénias, de culture.gouv.fr.

"Fidel Sobre A Tragédia Haitina: Não Esquecer A Vertente Política..."

Fidel Castro: o Haiti é "uma vergonha de nossa época"


O líder cubano Fidel Castro pediu soluções reais e verdadeiras para o Haiti — cuja situação de extrema pobreza, segundo ele, é “uma vergonha de nossa época”.

Em artigo intitulado “A lição do Haiti” e publicado nesta sexta-feira (15) no jornal Granma, do Comitê Central do Partido Comunista Cubano, Fidel criticando as reacções internacionais ao terramoto no país caribenho.

Em sua opinião, a tragédia no país vizinho, apesar de comover as pessoas, não leva à reflexão sobre os reais motivos da pobreza haitiana. Fidel lembra que o povo haitiano levou a cabo a “primeira grande revolução social do hemisfério sul” — “em que 400 mil escravos africanos, traficados pelos europeus, se rebelaram contra o domínio de 30 mil senhores feudais, donos de plantações de cana e café”.

Para Fidel, o país mais pobre da América foi alvo de um imperialismo desenfreado, que saqueou suas riquezas.

“O Haiti é um produto do colonialismo e imperialismo, de mais de um século de emprego de seus recursos humanos nos trabalhos mais duros, das intervenções militares e extracção de suas riquezas.

”O líder cubano, de 83 anos, acrescentou que a catástrofe que ocorreu nesse país “é apenas uma pálida sombra do que pode acontecer no planeta com a mudança climática”.
E disparou: “O Haiti hoje constitui uma vergonha de nossa época, de um mundo onde prevalecem a exploração e o saque da imensa maioria dos habitantes do planeta”.

“Situações como a desse país não deveriam existir em nenhum lugar da Terra, onde abundam dezenas de milhares de cidades e povoados em condições similares e, às vezes, piores, em virtude de uma ordem económica e política internacional injusta imposta ao mundo”, enfatizou Fidel.

Mais cedo, os Estados Unidos anunciaram que obtiveram o consentimento das autoridades cubanas para utilizar seu espaço aéreo a fim de acelerar a chegada de ajuda ao Haiti.

“Coordenamos com as autoridades cubanas a autorização para fazer voos de evacuação médica a partir da base americana de Guantánamo para Miami, Flórida, economizando 90 minutos por voo”, declarou a Casa Branca em um comunicado.



Do "Facebook", enviado por Márcia Cristina Hungerbühler [grafia ligeiramente alterada].



[Imagem extraída com a devida vénia de africansocieties.org]

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

"«Haiti: breve relance histórico para ajudar a contextualizar a recente catástrofe» [apud Luciana Medina, "Facebook"]


La democracia haitiana nació hace un ratito.

En su breve tiempo de vida, esta criatura hambrienta y enferma no ha recibido más que bofetadas.

Estaba recién nacida, en los días de fiesta de 1991, cuando fue asesinada por el cuartelazo del general Raoul Cedras.

Tres años más tarde, resucitó. Después de haber puesto y sacado a tantos dictadores militares, Estados Unidos sacó y puso al presidente Jean-Bertrand Aristide, que había sido el primer gobernante electo por voto popular en toda la historia de Haití y que había tenido la loca ocurrencia de querer un país menos injusto.

El voto y el veto: para borrar las huellas de la participación estadounidense en la dictadura carnicera del general Cedras, los infantes de marina se llevaron 160 mil páginas de los archivos secretos.
Aristide regresó encadenado.

Le dieron permiso para recuperar el gobierno, pero le prohibieron el poder. Su sucesor, René Préval, obtuvo casi el 90 por ciento de los votos, pero más poder que Préval tiene cualquier mandón de cuarta categoría del Fondo Monetario o del Banco Mundial, aunque el pueblo haitiano no lo haya elegido ni con un voto siquiera.
Más que el voto, puede el veto.

Veto a las reformas: cada vez que Préval, o alguno de sus ministros, pide créditos internacionales para dar pan a los hambrientos, letras a los analfabetos o tierra a los campesinos, no recibe respuesta, o le contestan ordenándole: "Recite la lección!"

Y como el gobierno haitiano no termina de aprender que hay que desmantelar los pocos servicios públicos que quedan, últimos pobres amparos para uno de los pueblos más desamparados del mundo, los profesores dan por perdido el examen.

La coartada demográfica: A fines del año pasado cuatro diputados alemanes visitaron Haití.
No bien llegaron, la miseria del pueblo les golpeó los ojos.

Entonces el embajador de Alemania les explicó, en Port-au-Prince, cuál es el problema: "Este es un país superpoblado"--dijo.

"La mujer haitiana siempre quiere, y el hombre haitiano siempre puede!"---y se rió.

Los diputados callaron.

Esa noche, uno de ellos, Winfried Wolf, consultó las cifras.

Y comprobó que Haití es, con El Salvador, el país más superpoblado de las Américas, pero está tan superpoblado como Alemania: tiene casi la misma cantidad de habitantes por quilómetro cuadrado.

En sus días en Haití, el diputado Wolf no sólo fue golpeado por la miseria: también fue deslumbrado por la capacidad de belleza de los pintores populares.

Y llegó a la conclusión de que Haití está superpoblado... de artistas.
En realidad, la coartada demográfica es más o menos reciente.
Hasta hace algunos años, las potencias occidentales hablaban más claro.

La tradición racista: Estados Unidos invadió Haití en 1915 y gobernó el país hasta 1934.

Se retiró cuando logró sus dos objetivos: cobrar las deudas del City Bank y derogar el artículo constitucional que prohibía vender plantaciones a los extranjeros.

Entonces Robert Lansing, secretario de Estado, justificó la larga y feroz ocupación militar explicando que la raza negra es incapaz de gobernarse a sí misma, que tiene "una tendencia inherente a la vida salvaje y una incapacidad física de civilización".

Uno de los responsables de la invasión, William Philips, había incubado tiempo antes la sagaz idea: "Este es un pueblo inferior, incapaz de conservar la civilización que habían dejado los franceses".

Haití había sido la perla de la corona, la colonia más rica de Francia: una gran plantación de azúcar, con mano de obra esclava.

En "El espíritu de las Leyes", Montesquieu lo había explicado sin pelos en la lengua: "El azúcar sería demasiado caro si no trabajaran los esclavos en su producción.

Dichos esclavos son negros desde los pies hasta la cabeza y tienen la nariz tan aplastada que es casi imposible tenerles lástima. Resulta impensable que Dios, que es un ser muy sabio, haya puesto un alma, y sobre todo un alma buena, en un cuerpo enteramente negro".

En cambio, Dios había puesto un látigo en la mano del mayoral.
Los esclavos no se distinguían por su voluntad de trabajo.

Los negros eran esclavos por naturaleza y vagos también por naturaleza, y la naturaleza, cómplice del orden social, era obra de Dios: el esclavo debía servir al amo y el amo debía castigar al esclavo, que no mostraba el menor entusiasmo a la hora de cumplir con el designio divino.

Karl von Linneo, contemporáneo de Montesquieu, había retratado al negro con precisión científica: "Vagabundo, perezoso, negligente, indolente y de costumbres disolutas".
Más generosamente, otro contemporáneo, David Hume, había comprobado que el negro "puede desarrollar ciertas habilidades humanas, como el loro que habla algunas palabras".

La humillación imperdonable: En 1803, los negros de Haití propinaron tremenda paliza a las tropas de Napoleón Bonaparte, y Europa no perdonó jamás esta humillación infligida a la raza blanca. Haití fue el primer país libre de las Américas.

Estados Unidos había conquistado antes su independencia, pero tenía medio millón de esclavos trabajando en las plantaciones de algodón y de tabaco.
Jefferson, que era dueño de esclavos, decía que todos los hombres son iguales, pero también decía que los negros han sido, son y serán inferiores.

La bandera de los libres se alzó sobre las ruinas.

La tierra haitiana había sido devastada por el monocultivo del azúcar y arrasada por las calamidades de la guerra contra Francia, y una tercera parte de la población había caído en el combate.
Entonces empezó el bloqueo.

La nación recién nacida fue condenada a la soledad.

Nadie le compraba, nadie le vendía, nadie la reconocía.

El delito de la dignidad: Ni siquiera Simón Bolívar, que tan valiente supo ser, tuvo el coraje de firmar el reconocimiento diplomático del país negro.

Bolívar había podido reiniciar su lucha por la independencia americana, cuando ya España lo había derrotado, gracias al apoyo de Haití.

El gobierno haitiano le había entregado siete naves y muchas armas y soldados, con la única condición de que Bolívar liberara a los esclavos, una idea que al Libertador no se le había ocurrido.
Bolívar cumplió con este compromiso, pero después de su victoria, cuando ya gobernaba la Gran Colombia, dio la espalda al país que lo había salvado.

Y cuando convocó a las naciones americanas a la reunión de Panamá, no invitó a Haití pero invitó a Inglaterra. Estados Unidos reconoció a Haití recién sesenta años después del fin de la guerra de independencia, mientras Etienne Serres, un genio francés de la anatomía, descubría en París que los negros son primitivos porque tienen poca distancia entre el ombligo y el pene.

Para entonces, Haití ya estaba en manos de carniceras dictaduras militares, que destinaban los famélicos recursos del país al pago de la deuda francesa: Europa había impuesto a Haití la obligación de pagar a Francia una indemnización gigantesca, a modo de perdón por haber cometido el delito de la dignidad.

La historia del acoso contra Haití, que en nuestros días tiene dimensiones de tragedia, es también una historia del racismo en la civilización occidental.


[Imagem extraída com a devida vénia de eucuidodaminhacidade.com]